quinta-feira, 26 de março de 2015

Terapia com animais, o que pode acontecer ?


Garanto que essa é uma dúvida que as vezes intriga os pais em terapias com animais para crianças e até adolescentes.
A algum tempo venho percebendo que muitos psicólogos vêm aderindo ao aspecto de correlacionar o processo terapêutico com o trabalho de animais como coelhos, cachorros, gatos, cavalos e até mesmo tartarugas.
Alguns pais já me perguntaram: "Mas o que pode acontecer com a minha criança”? Sei que muitos pais veem risco em colocar a criança perto de animais como cavalo por exemplo, porém a Equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo como ganhos a nível físico e psíquico para quem utiliza dessa terapia.

            Esta atividade exige a participação do corpo inteiro da criança, contribuindo para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e equilíbrio.
A interação com o cavalo e criança, incluindo os primeiros contatos um com o outro, os cuidados preliminares de conhecimento, o ato de montar e o manuseio final desenvolvem, ainda, novas formas de socialização. A criança acaba vendo o cavalo como um aliado do seu próprio corpo, um ser confiável que pode trazer-lhe novas sensações de confiança e autoestima que vão sendo trabalhada com o tempo.
Gatos, cachorros, coelhos, tartarugas e outros animais também proporcionam esta melhora significativa com a imagem da criança, além de trabalhar partes psicomotoras e estabelecer um elo sadio de afeto, criança e animal.

Quando o terapeuta trabalha com animais pode proporcionar trabalhar com a responsabilidade da criança para com o animal, ensinando cuidados básicos de higiene e alimentação que são completamente eficientes em terapias, para o amadurecimento também de adolescentes.

Voltando a pergunta dos pais: “Mas o que pode acontecer com a minha criança”? Eu respondo com toda sinceridade e profissionalismo, o que pode acontecer meu caro, é que a terapia pode surtir um efeito tão positivo que você também vai querer um animalzinho em casa para trazer ainda mais felicidade para sua família!


terça-feira, 24 de março de 2015

O trabalho dos psicólogos (Vídeo animação)


Uma emocionante animação que mostra o trabalho do Psicólogo em seu cotidiano em ouvir o outro e transforma-lo com suas mudanças em potencias. 




   Ser Psicólogo é uma imensa responsabilidade. É uma intensa troca de ajudas, é o dom de tirar lá de dentro o melhor que temos para cuidar, e transformar o outro no melhor que ele pode ser, acreditando em seu potencial quando ninguém  mais acredita.
    Ser Psicólogo é encontrar força , mesmo vindo de muitas lágrimas e acreditar que logo virá a cura de um sorriso alegre com motivação para continuar a vida. 
   Ser Psicólogo vai muito além do que muitos imaginam pois é o privilégio de encontrar pessoas da qual podemos ajudar, pessoas da qual talvez nunca mais veremos, mas almas das quais sempre vamos nos lembrar por modificarmos a cada palavra , a cada sonho e a cada soluçar !    

quinta-feira, 19 de março de 2015

50 tons de cinza - critica.



Cinquenta tons de cinza tomou o mundo na sua "nova visão", onde principalmente o publico feminino vem idolatrando este livro, porém os 50 tons de cinza são mais cinza do que realmente aparentam.

Algumas pessoas veem o livro como se fosse a primeira exposição a várias maneiras diferentes em que os seres humanos podem fazer sexo e talvez pensem que é a  "primeira publicação" que cause impacto de alguma forma na visão sexual. O que as pessoas não sabem é que o nome "sadismo" vem do nosso escritor MARQUES DE SADE, e ele sim causou muita polêmica na época que fora publicado.

 "O libertino era um aristocrata que desafiava os valores dos homens e de Deus”, apesar de produzir uma obra extensa, da qual apenas um terço fora publicado, Sade foi um escritor pouco conhecido em sua época. “Ele sabia que o que escrevia não seria vendido na esquina livremente". 

"Sempre foi um autor clandestino”, afirma Eliane Moraes isso durante todo o século 19. Em 1834, uma edição do Dicionário Universal inaugura o termo “sadismo”, com o significado de “aberração horrível do deboche; sistema monstruoso e anti-social que revolta a natureza”. O nome só se torna famoso quando foi usado pelo  psiquiatra alemão Richard Freiherr von Krafft-Ebing, num catálogo de psicopatias sexuais, em 1886.

Marquês de Sade teve suas obras julgadas pelo tribunal francês em 1950, sob alegação de ir contra os bons costumes da época, e afronta a moral. 

Aos poucos Marques caiu no gosto de grandes artistas como Salvador Dali e Anderson Mason que começaram a inspirar-se em suas obras em imagens sádicas e de crueldade. 

Não podemos negar que várias vertentes ainda dizem que a obra de S. Freud possa ser influenciada pelo aspecto sexualizado de Marquês de Sade.

Eu como Psicóloga e esp. sei que a obra de Marquês de Sade é completamente interessante sob óptica de Sadismo para compreensão de  onde a sexualidade humana doente pode chegar, e a obra de 50 tons de cinza na minha visão é uma modinha de segunda classe de Marques de Sade. Sabendo-se que Marquês inspirou o termo de doença sexual classificada, e 50 tons de cinza tem os mesmos parâmetros porém de pouco proveito manipulado para ser vendido e consumido podemos relevar alguns fatos:

O livro "50 tons" traz que mulheres devem ser manipuladas pelo homem de forma grosseira.

Não nenhuma mulher Psicologicamente saudável deve ser manipulada por ninguém. Ela não busca dor e sim por companheirismo e amizade num relacionamento que possa confiar, e não mostrar suas cicatrizes.

Escolhas auto-destrutivas tem que se ver como um apelo de ajuda, não como um mérito de escolha. O livro traz perigosas confusões de julgamentos para muitas pessoas, sobre o que de fato é o amor, e garanto-lhes que amor não é machucar o outro e está muito longe disso.

Para nós profissionais da saúde sabemos que há muita diferença em um relacionamento saudável e um doente, porém a obra consegue bagunçar com essa imagem para pessoas não ligadas a saúde, esperava que o intuito  da obra fosse trazer a sexualidade sem tabu para pessoas comuns como Marques fez no seu tempo, porém obras com conotação sexual sem lembrar os leitores que são personagens fictícios podem ao invés de ajudar, causar ainda mais frustração por saber que humanos comuns não são maquinas sexuais como na ficção de 50 tons de cinza, que no meu ver cinza é a inversão de valores reais e a  morte do amor.

 "Amor é um sentimento de carinho e demonstrações de afeto que se desenvolve entre seres que possuem a capacidade de o demonstrar. "








Saiba mais sobre Marquês de Sade: 

Livros
Sade – Vida e Obra, de Fernando Peixoto, Paz e Terra, 1979
O livro trata de aspectos curiosos da vida de Sade, assim como de sua obra. Peixoto conta de maneira cronológica a vida do marquês, entremeando análises de seus livros mais importantes.
Lições de Sade – Ensaios sobre a Imaginação Libertina, de Eliane Robert Moraes, Iluminuras, 2006
Eliane é uma das únicas especialistas em Sade no Brasil e, neste livro, versa sobre sua filosofia, sua importância para os autores contemporâneos e seu espírito libertino.
120 Dias de Sodoma, de Marquês de Sade, Iluminuras, 2006
Livro fundamental para a compreensão da obra de Sade, considerado sua obra-prima.
Filmes
Contos Proibidos do Marquês de Sade, de Philip Kaufman, 2000
O filme é baseado nos últimos dias de Sade no hospício, quando encena peças com os internos.





quinta-feira, 12 de março de 2015

Medo do Amor

Vamos falar agora de um "tabu" para a sociedade, quando digo a alguma pessoa sobre o medo de amar primeiramente logo vem os olhares de repressão, pois a sociedade implica que estamos sempre loucos para amar a todo momento um amor romântico e cheio de paixão intensa, um encontro carnal que eleve para o resto da vida de ambos.

O medo vem na verdade sobre a parceria em si, sobre a qualidade da relação, o pensar na outra pessoa com palpitações no coração é ameaçador, quando pensamos que o parceiro é exatamente como sonhamos (ou tenha a impressão de).

Podemos classificar o medo de amar em 3 formas:

1- O SOFRIMENTO

Ao dedicar-se a uma pessoa, entregar-lhe suas intimidades e convivência, a separação é muito dolorosa. Uma grande ligação pode-se ter grandes rupturas como, por exemplo, na primeira infância a ruptura do elo com a mãe e a embarcada no mundo físico é extremamente dolorosa e é nossa primeira reação a dor, todo grande sofrimento faz-nos lembrar do desamparo do útero e o sofrimento de solidão e perca brusca de separação. Reflete ao desamparo e ao estar sozinho no mundo.

2- O  MEDO DE PERDER A INDIVIDUALIDADE

Este medo é a simbiose com o parceiro, é o medo de que as personalidades se unifiquem e não se separe mais um pensamento de um individuo para o outro. Nota-se que quando a afinidade de ambos são grandes devia ser um medo inferior aos outros, pois funde-se com um indivíduo muito parecido com o seu "eu" interior. Quando personalidades tem grandes diferenças fica mais difícil manter-se ligado a simbiose, o mesmo aspecto que agrada que é o diferente do "eu" individual é o que repele o mesmo.

3- O MEDO DE SER E ESTAR FELIZ 

Culturalmente falando "Depois da tempestade vem a bonança" e vice-versa, sendo assim, acredita-se que depois de vencer obstáculos virá o tempo para respirar ou que se uma situação está ou se mantém sob controle, acontecerá algo para virar tudo de cabeça para os ar.

Felizmente sabemos que a felicidade de um casal provoca todos estes medos, porém são medos irracionais com cada qual no seu tempo de amadurecimento. Todos os medos irracionais precisam de direcionamento e serem de fato enfrentados e juntos o casal consegue traspassar esse problema.

Onde existe a luta entre sentimento amoroso e "medos" para o outro lado, faz com que a dinâmica acabe sendo vencida na maioria das vezes pelo medo, deixando grandes casais com grandes respectivas de vida felizes serem deixados de lado pelo medo de amar, geralmente com desculpas raciais, preconceito, financeiras, idade, enfim, pretextos para justificar separações de fundo em medos de amar, os que conseguem vencer o medo conseguem uma visão clara de companheirismo juntos, além do amor inicia-se um laço de confiança e a percepção que o medo vai se esvaindo conforme o tempo e o amor e felicidade crescendo a partir dos laços que guerrearam contra a batalha do medo, fazendo-se o fim da paixão (fim do medo) e o inicio do amor (medo decrescente).
Acredite, uma hora a peça do quebra cabeça vai se encaixar, as afinidades com seu parceiro vai se unir e o amor de qualidade irá surgir em seu caminho.

texto "METADE"

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também "   (Oswaldo  Montenegro )


quarta-feira, 4 de março de 2015

É possível nunca ser magoado (a)?

Bem, aí vai uma das questões mais polêmicas direcionadas a existência humanística: é saudável ser frustrado?

Ao longo da vida somos expostos à inúmeras frustrações, onde desejos que temos são de fato menosprezados, como por exemplo no ato de nascer quando a criança chora pois o tira da zona de conforto colocando-o em um local desconhecido, desconfortável e doloroso.

Continuamos o processo de frustrações no inicio da primeira infância quando choramos por fome, dor e coisas que de fato não queremos passar. Porém, naturalmente passamos e nos fortalecemos com tais coisas.

Entendemos que nem sempre conseguimos compreender a profundidade disso, tudo o que somos e o que nosso inconsciente nos traz.
Tudo o que carregamos de nós hoje é um processo simbólico de muitas frustrações, desejos, superações e sublimações que ocorrem em nosso processo evolutivo individual. Mas a pergunta central é se somos capazes de nunca sermos feridos.

Imagine você sem nenhuma frustração, sem feridas do passado, sem mágoas ou dores.
Porém, saiba que as imagens de frustração servem de apoio a nossa personalidade, de certo e errado, um símbolo de consciência estruturada. A personalidade que construímos vem da sociedade que estamos inseridos, de pessoas que convivem com nosso "eu" individual e este "eu" carrega fragmento de tudo o que ouve, vê ou toca, mesmo que essa vivência não tenha sido de fato positiva ainda assim é um processo para a construção de personalidade.

 A imagem que tenho do meu "eu" individual foi uma construção simbólica das minhas vivências, e até a imagem que o meu "eu" individual que tenho da minha própria personalidade pode ser frustrada quando algo sai ao contrário do previsto imaginário.

Por exemplo, se você pensa que é um ótimo cozinheiro e alguém lhe diz que seu arroz não está bom, isso lhe machuca, pois a imagem que você constrói de você à muito tempo é de um bom cozinheiro, e quando alguém lhe da uma opinião contraditória isso fere o que você vê em seu próprio reflexo do "eu" interiorizado.

As consequências de se ferir são profundamente grandes e complexas.
A partir destas pequenas feridas (ou enormes), pode-se ver a necessidade de nos preenchermos com algo para escapar dessa terrível dor que agride e fere nossa imagem .

Porém, sem a dor das frustrações diárias do dia a dia tornamos-nos seres robóticos sem personalidade e sem essência, num ciclo estagnado sem movimento do "eu" interior. Por isso nossos processos inconscientes conseguem sublimar nossas frustrações trazendo-nos algo positivamente simbólico para o nosso "eu" e nossa satisfação individual para que assim possamos nos frustrar e sublimar para seguir psicologicamente sadios. É a ira interna trabalhada e aceita socialmente na óptica da sublimação.