quinta-feira, 30 de abril de 2015

Marques de Sade: "A Arte da Sublimação a a Sublimação da Arte"

                                                          “(...) e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes. Mate-me novamente ou aceite-me como eu sou, porque eu não mudarei.” SADE, Marquês 1814.


   Neste post será abordada a História, Vida e Obra do escritor Marquês de Sade, intitulado como perverso, o que poderia então haver com Sublimação?

                                                        “As conotações da palavra são desagradáveis e têm um sabor de moralidade e, portanto, de livre-arbítrio, antiquado nestes tempos de ciência de determinismo”. (STOLLER, Robert, 1986)


   Segundo PAJAZCKOWSKA, Clarice (2005), o conceito de Perversão é definido como atitude sexual, mas não exatamente como uma atitude genital, mesmo que os genitais sejam usados como no exibicionismo que o indivíduo mostra suas genitais, não está fixado uma função genital adulta. Mas tarde a autora ainda afirma que: “existem também atos pervertidos, como roubo e vícios, em que o individuo sente prazer erótico conscientemente, e entende-se como um ato erótico para ele." (PAJAZCKOWSKA, Clarice, 2005)

    Com essa afirmação podemos então levar o texto em sí para a compreensão da sublimação, sendo que a sublimação como já vimos no primeiro capítulo traz prazer ao indivíduo que sublima, fazendo com que sua pulsão sexual seja sublimada de forma saudável e aceita socialmente.

   Segundo Foucault (1981), em seu livro History of Sexuality relata: “Quatro figuras surgiram dessa preocupação com o sexo, que formou ao longo do século XIX: quatro objetos de conhecimento privilegiado, os quais eram também objetivos e ancoradouros para aventuras do conhecimento: a mulher histérica, a criança que se masturbava, o casal malthusiano e o adulto pervertido.

   Clarice (2005) relata sobre esta afirmação de Foucault em seu livro sobre Perversão que acompanhando a sexualidade humana, Foucault apresenta uma hipótese útil aos conceitos em dizer que todos levavam ao seu ideal a preocupação com a sexualidade, e isto acabou-se desencadeando algumas coisas que eram completamente patológicas em sua época.

   Segundo o Psicanalista Ernest Jones (1974, p 267), escreve em sua obra:

“A criação artística serve de expressão de muitas emoções e ideias, de amor pelo poder, da solidariedade diante do sofrimento, do desejo da beleza ideal e assim por diante, mas- a menos que o termo seja ampliada para abranger a admiração por qualquer forma de perfeição- é com o últimos deles, a beleza, que a estética se preocupa mais. Tanto que o sentimento estético pode muito bem ser definido como aquele que é evocado pela contemplação da beleza”( JONES,Ernet 1974)

 Marquês de Sade

   Aqui descreveremos sua história baseada no filme de sua vida e obra QUILLOS (2000), Sade, de nacionalidade francesa, Donatien nasceu em 1740 e em 1814 teve sua morte em um hospício sendo que passou sua história toda sendo perseguido por ser detestável à população. Passou alguns anos da sua vida na cadeia (a primeira vez que lá entrou, terá sido seis meses após o casamento, em Outubro de 1763: foi detido na sequência da acusação de uma prostituta, Jeanne Testard, com quem havia passado uma noite, blasfemando e defecando em imagens sagradas, enquanto a sodomizava e obrigava a renegar de Deus). 

   A censura imposta à sua obra fez com que permanecesse por muito tempo ignorada. Baseou a sua filosofia na premissa de que nada nem ninguém são mais importante do que nós apropriasse o prazeres que nós temos e causamos- e não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes. 

   Nos seus romances Justina, Alina de Valcour, aparecem certas degenerações sexuais que estiveram na origem do termo sadismo. Segundo SADE, Marquês (1814), “(...) e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes. 

   "Mate-me novamente ou aceite-me como eu sou, porque eu não mudarei.". "Perversão sexual na qual o prazer erótico está ligado ao sofrimento infligido a outrem”. Freud explica-o por um complexo ligado ao estágio anal em que a criança descobre que pode fazer sofrer a mãe se não aceita tornar-se limpo. (SADE, Marquês 1814)

   Foi no segundo dos "Três ensaios de sexualidade" das obras completas, que Freud postulou o processo de desenvolvimento psicossexual, o indivíduo encontra o prazer no próprio corpo, pois nos primeiros tempos de vida, a função sexual está intimamente ligada à sobrevivência. O corpo é erotizado, isto é, as excitações sexuais estão localizadas em partes do corpo (zonas erógenas) e há um desenvolvimento progressivo também ligado as modificações das formas de gratificação e de relação com o objeto, que levou Freud a chegar nas fases do desenvolvimento. 
   
   Freud em ensaios da sexualidade afirma que o centro erógeno é a zona do ânus. Uma das funções básicas da fase anal é o controle dos limites do corpo, tem como função básica a defesa da integridade oral. 
   
   Quando se fala de analidade fala-se de um limite, uma maneira de proteção do corpo, proteção da integridade pessoal. A analidade enquanto objeto organizador (para além da dimensão erógena), tem uma função delimitadora, ajuda a organizar as fronteiras entre o eu e o tu, a partir de quando é que nos diluímos nos outros de modo a perdermos a nossa individualidade. A fase anal subdivide-se em 2 sub fases: 1- fase anal evacuativa e 2- fase anal retentiva.
   
   Os comportamentos arriscados são mais frequentes, porque a criança não controla não só a sua analidade, como também a sua raiva, agressividade podendo mesmo ser negativista.- A criança retém, muitas vezes como forma de defender o que deseja. Enquanto relação erógena parcial, a fase sádico anal pode ser decomposta em 3 grandes componentes antitéticos: 1- Passivo-ativo, 2- Sádico-masoquista e 3- Voiarismo-exibicionismo. Com isso podemos compreender onde Marques se encaixa na fase anal. (FREUD, S 1936)

   O "pequeno sadismo" é a sua forma mais difundida, a forma descrita pelo marquês de Sade (que lhe deu o nome): flagelações, crueldades físicas ou morais, reais ou simuladas. Toma muitas vezes um caráter simbólico, "cerebral". 

   Assim as humilhações infligidas por um chefe aos seus subordinados são uma forma de sadismo. Deformação do instinto sexual macho que comporta uma parte de agressividade, combina-se às vezes com outras perversões, especialmente numa curiosa alternância com o masoquismo, que é o seu oposto. (FREUD, S 1936) Quando tem por origem uma verdadeira doença mental (neurose ou psicose), as suas manifestações são mais temíveis e podem ir até ao assassínio. Jack, o Estripador, que cometeu as suas perversidades em Londres no último século, e nunca foi apanhado, é talvez um exemplo de sadismo neurótico." (Dicionário de Psicologia, p.457)

   A partir do filme QUILLOS 2000, onde é exposto sua vida, podemos notar que Marques de Sade tem uma vida notoriamente perturbada, distintas de valores e sentimentos, visando buscar somente o prazer físico.

  Mas a sublimação é visível quando notamos que Sade é impotente sexualmente, e escreve para sublimar seus impulsos sexuais reprimidos, escrevendo assim coisas do qual nunca poderia fazer de forma saudável.

   A escrita para Sade, é uma válvula de escape para não se diluir em loucura, quando no filme QUILLUS 2000, Sade é trancado em um hospício pois é um insulto à Napoleão Bonaparte, e ai então é destinado ao aprisionamento, porém continua publicando suas obras reproduzindo escrúpulos sociais e nojo da população geral. Sade então é proibido de escrever, onde o Abade do monastério retira sua pena e sua tinta, mesmo assim, Marques de Sade continua suas escritas numa tentativa perturbadora de sublimação, com ossos de galinha de seu jantar, e com o vinho da adega do qual recebia todos os dias. Marques escreve em seus lençóis brancos e entrega para a empregada para caminhar outra publicação, onde Abade nota que ainda estão saindo escritos de Sade do hospício, Abade retira a cama de Marques, lençóis e tudo o que há em seu quarto, deixando-o somente com a roupa do corpo. 

   Mesmo assim Marques não pode ser impedido de gritar sua loucura e em um soco no espelho, pega cacos de vidro, corta os dedos e escreve em suas próprias vestes. Abade enfurecido tira as roupas de marques e o deixa nu, em seu quarto, mas nada impede Sade de contar suas histórias a todos que ali estavam.
   
   Como punição de seu mestre é arrancado de sua boca, sua própria língua, como castigo por blasfemar tanto e trancado em uma prisão subterrânea com correntes, fica isolado do mundo, mas Marques então numa tentativa quase que sem volta, escreve com suas próprias fezes nas paredes da prisão, o que acarreta em sua morte como punição, mas antes revela seu segredo mais horrendo onde sua impotência sexual é posta a partir do Abade que compreende então sua história. (QUILLUS 2000)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Vicent Van Gogh (Pintor) e a Sublimação

 
   Van Gogh nasceu no mesmo dia e mês, um ano depois do primogênito do pastor Theodorus e de Ana. No seu registro de nascimento na paróquia do pai, tem o número 29, o mesmo do irmão, falecido com 6 meses, lapso que aponta seu lugar no desejo do Outro: um objeto por outro (VAN GOGH, 2002, 422).

   Se “nomear, dizer é um ato” (LACAN, 1974-75, lição 18/3/1975), o batismo é o ato pelo qual se indica a entrada do sujeito no mundo pela atribuição de um nome, nome que fixa sua referência ao ser. 
   
   O genial artista recebe o mesmo nome do irmão morto - Vincent Willen Van Gogh. Dar um nome à alguém implica numa descrição exitosa, pois o objeto passou a ter um nome. Mas a descrição associada ao batismo pode ser falsa, por isso o Nome próprio não é a a abreviatura, o acumulo 
de descrições mais ou menos verdadeiras do objeto, mas sim é algo da ordem da nominação. Ter um nome indica também uma classe, mas esta função classificatória esta ligada ao tabu que acompanha o nome: não dar nome do morto a outro (interdição cultural), e não pronunciar o nome do morto (interdição pela homofonia). Em Totem e Tabu, Freud indica que no tabu, o primitivo toma nome próprio como metonímia do sujeito.
   “Mesmo antes do nascimento de um filho, as relações entre seus genitores, são organizadas pela palavra; elas se situam no mesmo quadro das ‘leis da linguagem’.
    
   As circunstâncias que presidiram ao encontro de seu pai e sua mãe, sua própria história, já formam uma constelação que antecede até sua concepção. ‘Isso fala dele’ de múltiplas maneiras. Ele é aguardado com esperança ou com receio. Ele se impõe ou é desejado, assim como pode ser pedida ajuda da ciência para sua vinda. Não é indiferente o momento de sua chegada, que sobrevenha, por exemplo, após o luto de um parente... Será dotado de um nome sobre o qual concordam os pais, e de uma maneira que excede o querer de uns e de outros, de sobrenome, etc.” ( MILLER,1989)

   Van Gogh pintava constantemente auto-retratos e quadros de sua própria visão, apesar da insistência do amigo em que ele pintasse de memória. Como poderia se não tinha história, pois estava justamente tentando “objetivar” sua história. Dentre momentos de calmaria, novas crises vinham. Numa delas, Vincent tenta engolir as próprias tintas com as quais trabalhava. Talvez numa tentativa de dar cor e vida à vida de um morto. Esse período de delírio é seu período mais fértil em que pinta quase duzentos quadros, dentre eles, ‘OS CIPRESTES’.

   Em 27 de julho de 1890, aos 37 anos, Vincent dá um tiro no peito no mesmo trigal que havia pintado e morre dois dias depois nos braços do irmão Théo.

   O processo criativo de Vincent Van Gogh transita no horror e na beleza, na vida e na morte, na busca da identidade, porém não na fuga do sofrimento. Em 1884, Vincent escreve a Théo parafraseando Millet: “Não quero de nenhuma maneira suprimir o sofrimento porque é o que faz expressar mais energicamente os artistas”. Podemos dizer que a arte de Van Gogh era sua linguagem e, além de seu caráter de mensagem, cumpria essencialmente a função de sua própria sublimação em contextos de sublimação de pulsões de vida e de morte.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Anne Rice ( Escritora) e sublimação

   Anne Rice cresceu em New Orleans vivendo num espectro de estimulação física e artística. Foi criada de um jeito diferente e exposta a grandes ideais que deram-na um apurado senso de auto-valorização. Sua imaginação desenvolveu-se e populou um mundo de fantasia, usando vários elementos do mundo do mistério completado com o sobrenatural. No entanto, seu senso de nuance e sua herança sulina e irlandesa tiveram influencia suficiente no seu estilo para torná-la uma grande escritora. Os eventos dramáticos que aconteceram em sua vida resultaram numa riqueza emocional que recheia suas obras e cativa muitos leitores. (RICE, Anne1992)

   Segundo RICE, Anne experimentou uma série de perdas em sua vida, incluindo a morte de sua mãe, que chegou a ameaçar sua própria saúde e paz. Ela sentia vontade de se render ao desespero tanto quanto a necessidade de resistir, paralelamente ela possuía o desejo de estudar, numa era em que tais valores eram estranhos a pessoas com a sua idade. Desde a infância, ela sentia-se diferente das outras crianças, nunca se encaixando em expectativas sociais. Ela variava entre a vontade de ser aceita e a vontade de ser ela mesma. Toda vez que se acertava, tornava-se mais forte, mas a vida mostrava-se mais negra. (RICE, Anne 1992)

   Segundo o site oficial de Anne Rice, RAMSLAND, Katherine, 2001 relata que Anne, quando tinha 20 anos de idade, escreveu histórias sobre sexo e erotismo, fascinada com a liberdade da experiência masculina e com suas próprias qualidades masculinas. E então outra tragédia aconteceu em sua vida: a perda da sua filha de 5 anos; até que ela achou um assunto que unisse dor, intensidade e o imaginário do impacto das experiências da vida e das perdas: o vampiro.

   Notando a compulsão e a sensualidade da mitologia vampírica, Anne utilizou sua própria intensidade física para delinear as qualidades eróticas. Ela colocou seus vampiros em relacionamentos que andavam em paralelo com a experiência homossexual, exatamente quando o ser homossexual significava exibir coragem de políticos pioneiros. Expressando seus desejos pessoais através de metáforas, ela conectou-se com estabelecimento e revolta. (RAMSLAND, Katherine, 2001)

   Mais a frente em seu texto relata que estimulada pelo seu sucesso, Anne explorou outros assuntos pelos quais era obcecada, misturando aspectos da sua vida com valores da vida de seus personagens. Seus próximos dois livros traçaram uma crise estrutural mais uma vez, mas não alcançaram sucesso. Anne teve que optar por seguir instruções de seus editores sobre o que venderia mais ou continuar com suas próprias visões. Desde quando "conformidade" nunca esteve no topo da sua lista, ela decidiu-se pela segunda opção. (RAMSLAND, Katherine, 2001)

   O trabalho de Anne Rice reflete sua própria vida. Ela procura por clareza de expressão como um meio de estabelecer clareza de valores. Ela utiliza suas "novelas" para aproximar-se, cada vez mais, do contato com a essência da vida, incluindo áreas proibidas pela sociedade. Sua vida dá autenticidade a seus personagens, mas seu trabalho também inclui qualidades místicas. Tendo vivido através de décadas de descontentamento social e possuindo o mecanismo de canalizar em seus textos um sentimento intimista, a biografia de Anne Rice nos convida a ver como os elementos universais e altamente contemporâneos em seus livros pode fazer-nos entender melhor nossas próprias vidas. (RAMSLAND, Katherine, 2001)

   Em 1972, aos 30 anos, Anne perde sua filha Michele, de cinco anos de idade, vítima de leucemia. Anne fica arrasada e passa quase um ano alcoolizada, incapaz de recuperar-se de tal choque. Quando em 1973, em cerca de 5 semanas, ela escreve o livro Entrevista com o Vampiro, a partir de um conto produzido em 1969. (RAMSLAND, Katherine, 2001) O livro de numero um das crônicas vampirescas da autora, conta um romance entre dois vampiros do século IX, sendo narrado pelo vampiro, Luis Du Pont Du Lac cria de Lestat de Lioncurt. A história narra a rivalidade destes vampiros, e a sede pela morte humana, mostrando-se notoriamente monstros sedutores, e à partir do contexto da história Louis acaba encontrando uma criança de 5 anos de idade que encontrava-se a beira da morte com sua mãe vítima de peste bubônica já morta a muitos dias, em estado de putrefação. Louis então concede aquela linda criança a oportunidade da vida eterna, alimentando-se para sempre de sangue humano, deixando que os séculos tornassem poucos minutos e a monstruosidade assassina dos vampiros se tornasse doce como um vinho. (RICE, ANNE,1992)

   Levantamos a hipótese que no livro, Anne retrata sua filha na personagem Claudia de 5 anos de idade, que é forçada a viver eternamente como criança, após virar vampira. Tal sentimento de "imortalidade", ocasionado por tais tragédias em sua vida, acabam sendo o grande motivo de tal fascínio por vampiros, personagens principais de seus livros. Além de que “Claudia” (vampira criança criada por Anne Rice no livro “entrevista com o vampiro”) é forçada por todas as hipóteses a se alimentar de sangue humano, assim como se assemelha ao real de “Michele” (filha de Anne Rice, falecida aos 5 anos de idade, vitima de Leucemia). Podemos levantar mais uma hipótese da história do livro com a mãe morta de "Claudia” já em estado de putrefação, como estava Anne Rice quando escreveu o livro, mesmo viva encontrava-se morta, afundada em depressão por não conseguir trazer de volta a vida de sua filha "Michelle”.

   Ainda assim o ponto forte da autora sempre foi sua incursão à fantasia. Geralmente os personagens sobrenaturais que cria, procuram por sua identidade numa espécie de "subcultura vampírica" que mescla morte e sexualidade. Ela invariavelmente apresenta seus vampiros como indivíduos com suas paixões, teorias, sentimentos, defeitos e qualidades como os seres humanos, mas tendo que lutar pela sua sobrevivência através do sangue de suas vítimas e sua própria existência, que para alguns deles, é um fardo a ser carregado através dos milênios. São temas também desses romances o homossexualismo, o ateísmo, a imortalidade, a vaidade e as relações entre o bem e o mal.

   Em 2002, seu marido Stan Rice (marido de Anne Rice), morre vítima de um tumor cerebral, e Anne Rice passa por mais uma fase turbulenta, descobrindo inclusive ser diabética. Assim, em 2005, Anne declara que deixaria de escrever obras sobre vampiros, bruxas e outros seres fantásticos, e se dedicaria a outros gêneros literários. Lança então no mesmo ano o livro: “Cristo Senhor: a Saída do Egito, que retrata o jovem Jesus, então aos sete anos de idade, partindo do Egito com a família para voltar para sua casa em Nazaré.” (RICE, Anne 2006)

   Em 2008, Anne lança um livro de memórias intitulado "Chamado para fora da escuridão: uma confissão espiritual", o que demonstra claramente seu novo rumo literário, "o cristão". Nele a escritora se remete a sua infância e em épocas em que possuía uma fervorosa fé católica e que os últimos acontecimentos em sua vida acabaram fazendo retornar tal sentimento de devoção. (RICE, ANNE 2008).

   Independente dos estilos, temas ou ideologias que a escritora possa seguir podemos levantar a hipótese de que a autora usou do mecanismo de Sublimação em seus trabalhos para concluir o luto, para criar novamente em uma visão saudável sua filha imortal, sua morte em vida, e suas constantes ambivalências da infância, criando em um aspecto fantástico, um mundo sobre natural que a autora conseguia controlar seu próprio mundo, o que estava muito distante de sua realidade.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Leonardo Da Vinci e a Sublimação

   Foi em 1910 que Freud escreveu sobre “A lembrança infantil de Leonardo da Vinci”, onde ele se propõe a estudar essa “grande figura da humanidade”, e a analisar as inibições de Leonardo tanto na vida sexual como nas atividades artísticas, além de, nesse texto, também desenvolver suas teorias em torno do conceito de sublimação. Freud considerou Leonardo um “gênio poliforme”, com uma versatilidade que o levou a ser artista, escritor e cientista brilhante, cujo desenvolvimento como investigador abafou e desviou em grande parte o seu desenvolvimento artístico.

   No Seminário 11, “Os quatro conceitos fundamentais em psicanálise", de 1964, Lacan comenta que, em Leonardo, a arte se mistura à ciência e, a partir dele, o quadro passou a ser organizado de uma maneira totalmente nova na história da arte. Leonardo foi considerado um homem à frente de sua época, com uma curiosidade incansável, com muitos talentos numa intensidade assombrosa, mas, na verdade, por mais genial que fosse, era apenas um homem que, como qualquer outro homem, era incapaz de escapar das marcas do Outro que irão constituir o sujeito.

   Freud, estudando Leonardo, inquietou-se com o fato dele ter deixado inacabados quase todos os seus trabalhos de pintura, porque buscava neles uma perfeição que ele próprio achava que nunca conseguiria encontrar, o que o levava a abandoná-los e a não se preocupar com o destino dos mesmos. Para pintar um quadro ele fazia vários desenhos, pesquisas e estudos preliminares, e era muito lento na sua execução. Essa lentidão de Leonardo é atribuída por Freud a uma intensa coerção interna para conseguir executar suas obras de uma forma ideal. A famosa frase de Leonardo, “quero fazer milagres”, mostra o que ele buscava realizar, e seu trabalho certamente nos faz vislumbrar esse desejo que o dirigiu e possibilitou a construção de sua genialidade.

   A partir das indicações da personalidade de Leonardo, Freud considerou suas pesquisas como sendo a meditação obsessiva dos neuróticos. Para combater esses excessos surgiu nele um recalque forte o suficiente para afastar sua puberdade de toda atividade sexual, tendo a maior parte de sua sexualidade sido sublimada numa ânsia de saber. Ao mesmo tempo em que Freud o vê como assexuado, em outro momento ele considera que seu amor excessivo pela mãe levou-o a tornar-se um homossexual. Lacan questiona se podemos falar de uma inversão de Leonardo, pois trata-se, na verdade, das marcas de uma inibição singular.
                                                                     “Já não abaixam os olhos, mas olham como no misterioso triunfo, como se soubessem de uma grande felicidade alcançada sobre a qual fosse preciso calar. O sorriso fascinante e arrasador deixa vislumbrar que se trata de um segredo de amor. É possível que nessas figuras Leonardo desmentisse e superasse na arte a infelicidade de sua vida amorosa, figurando, nessa beatífica reunião de uma essência masculina e feminina, o cumprimento do desejo do menino fascinado pela mãe." (FREUD, S. 1976 p.101.)

   Mais à frente a arte é vista por Freud como sendo uma satisfação substitutiva que é psiquicamente eficaz, devido ao papel que a imaginação e a fantasia ocupam na vida anímica; ela é um modo específico de organização em torno do vazio, e a obra de arte é uma forma de cingir a Coisa. Na arte, “o objeto é instaurado numa certa relação com a Coisa que é feita simultaneamente pra cingir, para presentificar e para ausentificar.(...) É sempre contra a corrente que a arte tenta operar novamente seu milagre” (LACAN, J. O 1990 p. 176.)

   A obra da sublimação não se limita à obra de arte, pois ela se estende a toda atividade que reproduz essa estrutura, essa reprodução da falta. Os três termos que Freud define para a sublimação são a arte, a religião e a ciência. Nesse sentido, Leonardo da Vinci não poderia ser um exemplo melhor, uma vez que ele passeou com a mesma desenvoltura pelos três tipos de sublimação: na arte, com seus belíssimos quadros, esculturas e desenhos; na religião, embora ele não tenha sido uma pessoa especificamente religiosa, mas sua relação com a natureza e sua admiração pelo Criador do universo tinham um caráter religioso; e na ciência, com suas infindáveis pesquisas. Podemos então concluir que foi ao re-trabalhar a falta de um modo infinitamente repetido que Leonardo alcançou o limite da obra de arte.

   Com isso podemos entrar na questão Segundo Pacteau, Francette (1994) em seu texto ela questiona- Qual a origem do desenho? SINGH Kalu(2005) relata em sua obra que a origem do desenho baseia-se em uma lenda da qual uma jovem desenha o contorno da sobra de seu amado, em uma parede branca. Singh completa dizendo que pode vir rapidamente na nossa mente as possíveis teorias que Freud citava em sua obra na seguinte frase: “ a sombra do objeto recaiu sobre o ego” (FREUD, S. 1915). E aqui Singh lança uma duvida sobre o porque a lenda preferiu alguém do sexo feminino. SINGH Kalu(2005)

   “A visão matemática do corpo ‘bem-proporcionado’ oferece um exemplo privilegiado de sublimação” Pacteau, Francette (1994 p 91) descreve que neste termo ,Pacteau refere-se a Sublimação do próprio corpo , ou do corpo de outrem em manifestação artística , a autora impõe uma “sublimação sob medida erógena” como se o corpo fosse um alvo da Sublimação principalmente em termos da arte, como assim aconteceu dos primórdios contemplando seus corpos em caças em pinturas rupestres, mas tarde no Egito com pinturas de adoração á deuses , e mais tarde na Grécia com um toque Sub-Humano do corpo perfeitamente sublimado e inalcançável.

   Segundo Lacan, ”O significante entra de fato no significado”, com esta frase podemos seguir a linha de pensamento completando que são desses significados que nascem os desconhecidos que me definem como eu, a partir de minhas vivencias e relações com o mundo a imagem que eu crio e o que eu vejo é o que me torna. (LACAN 1959 p.241)

   Podemos dizer que a Sublimação vem de coisas que vividas, internalizadas pelo individuo são recalcadas se tornam outras coisas. Coisas Sublimadas.Segundo Lacan: “(...) anéis cujo o colar se fecha no anel de um modo que o colar é feito de anéis”. (LACAN 1998 p.505). Nesta frase o autor afirma que a partir de uma vivencia que o individuo sofre, internaliza-se inconscientemente a vivencia inicial, sendo positiva ou negativa, sofre uma mudança e é sublimada em uma forma saudável para o meio.

   Porém há também como já discorremos no primeiro capitulo sobre a pulsão de morte, mas agora então ligaremos esta pulsão com a realidade artística para além da representação simbólica que Freud afirmou que a :” Sublimação tem forte influencia ao individuo e uma poderosa atuação por tal, mantendo a ausência do vazio, e esta ‘ausência do vazio’ podemos considerar de fato como já citado a pulsão negativa, ou pulsão de morte. A ação da tendência pulsional de Tânatos levou Freud a afirmar: “O principio do prazer parece, na realidade, servir ás pulsões de morte” (FREUD. 1920 p.85). Ligando esta citação de Freud com a arte , podemos compreender que a sublimação pode-se vir da pulsão de morte ou pulsão de vida, ou simplesmente a boa vontade e a má vontade.



(Fig.5 Leonardo da vinci. (La Gioconda)c. 1503-5 Oil on panel, 77 x 53 cm Musée du Louvre, Paris.- Nesta obra podemos analisar que Leonardo ainda estava fixado nos olhos que conhecia como amor durante a infância que nos leva a acreditar que há uma forma de sublimação para satisfazer essa pulsão ainda não desvinculada pelo artista.


   Lacan afirma em seu texto no seminário 11: ”Queres olhar? Pois bem, veja então isso!", ele oferece algo como postagem para o olho, mas convida aquele a quem o quadro é representado e a depor ali seu olhar, como se depõem armas. [...] Algo é dado não tanto ao olhar quanto ao olho, algo que comporta abandono, disposição, do olhar” (LACAN 1964, p 99). Nesta frase Lacan fala sobre o que o pintor faz com quem olha a obra, é o que torna a obra de fato importante, não somente o que o artista colocou em sua obra, mas como o individuo a vê. Qual o prazer ligado ao ver a obra, o que sente, e este prazer gera prazer. Nisto acontece uma troca de sublimações, interligando o que o artista sente, passando aos olhos de quem vê.

   Pablo Picasso em questão de suas próprias obras diz: “Que verdade? A verdade não pode existir.Se eu procurar verdade na minha tela, conseguirei fazer cem telas com essa verdade. Então , qual seria a verdadeira? E o que é verdade? Aquela que serve de modelo ou aquela que pinto? Não é como em todo o resto. A verdade não existe. Se houvesse uma só verdade, não seria possível pintar cem telas com o mesmo tema. Tudo tem que mudar. É preciso encontrar sempre o nunca-visto. Trata-se de um autentico quebra-cabeças. Todavia, quando se procura um nunca-visto, depressa se verifica que já foi visto”. (PICASSO apud. PARMELIM. 1968 p. 104). 

   A verdade para Pablo Picasso, assim como para qualquer outro artista é sua própria verdade, seus próprios sentimentos, sua verdade interna, por fim seu inconsciente com meio pulsional sublimado em ‘sua verdade’. Essa verdade interna como o próprio autor diz: ”Desta vez, disseram que eu tinha posto o nariz de lado, mas tive que pinta-lo assim para mostrar que era um nariz.Tinha certeza que mais tarde iriam ver que não era a maneira errada de fazer, e sim minha maneira.” (PICASSO apud RUHRBERG, 1999, p.68)

   Para finalizarmos este post entraremos no ideal de SINGH, Kalu quando descreve em seu capitulo no livro ‘Sublimação - Conceitos da Psicanálise’ que “Se os artistas experimentam o zênite da capacidade de sublimação, o equilíbrio perfeito entre os instintos sexuais e a expressão criativa, porque eles parecem querer tanto sexo, e quase sempre um sexo insatisfatório e cruel? Porque raramente saibam o que é equilíbrio.” Neste contexto Singh refere-se ao porque de mesmo sabendo sublimar, o artista ainda torna-se um ser representativamente cruel para si e para o outrem.como o mesmo ainda continua em seu texto: ”A afirmação parece combinar com todos os clichês sobre artistas desordeiros adeptos de sexo, drogas e rock n’ roll”. Pois neste contexto o artista sublima de um modo sob a pulsão de morte, envolto de seu sistema pulsional significativo, porém o mesmo não tem energia suficiente para efetivar seu trabalho artístico e trazê-lo para vida da qual vive, vivendo um completo paradoxo, entre sublimar e ser sublimado pela própria arte. 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O que é Sublimação?

O que é Sublimação de fato? Porque Freud escolheu este nome?


   Inicia-se com o desfecho de arte e psicanálise porém, é necessário compreender a sublimação e seu sistema e porque Freud deu este nome a este mecanismo de defesa. Acredito que dentro do contexto Psicanalítico este é sem duvida o termo que eu como Psicóloga, trabalhando com Arte-Terapia, mais uso em contexto cotidiano. Mas afinal, o que é SUBLIMAÇÃO?

    Sublimação vem do termo “Sublimierung”, de origem latina, indica um movimento de elevação daquilo que se sustenta no ar. Utilizado por Freud, admite várias aplicações e desdobramentos aplicado na ciência da psicanálise. Na química, a sublimação é definida como a passagem do estado sólido para o gasoso, com isso, consiste na transformação do vil metal em ouro puro pois na alquimia, a água sempre é água em qualquer estado: sólido, líquido ou gasoso. As moléculas se concentram e chove, se transformam em líquido, mas não perdem a essência.

   Na sublimação a energia pulsional, o conteúdo sexual da pulsão nunca é extinto, há sempre um a essência do inconsciente fragmentado em coisas que o individuo faz, daí o nome sublimação. ATTIÉ (1997, p.146) acrescenta que, no sentido moral, a sublimação é uma purificação da alma. Sublimação está articulada ao conceito de um mecanismo de defesa adotado pelo ego porém, podemos dizer que a concepção Freudiana para a Sublimação é pouco citada em toda sua obra, pois Freud estudava principalmente o individuo doente, sabendo-se que a sublimação de fato não é uma patologia e sim uma saída aceita socialmente por isso os estudos não se aprofundaram.

   A palavra sublimação foi enunciada precocemente no discurso Freudiano. Com efeito, em sua correspondência com Fliess, Freud já se refere à existência da sublimação (FREUD, 1973). De maneira pontual, ele afirma que o objeto e o sublime teriam a mesma origem psíquica, ainda que a representação então presente nos discursos filosófico e do senso comum os considerassem opostos e em diversos campos. Nesse momento, portanto, o abjeto se refere ao que, posteriormente, o discurso Freudiano inscreve nos registros do pulsional e do sexual.

   A sublimação no conceito Freudiano é um “processo que diz respeito à libido objetal e consiste no fato de a pulsão se dirigir no sentido de uma finalidade da satisfação sexual; nesse processo, a tônica recai na deflexão da sexualidade” (FREUD, 1914, p.101). Segundo Lacan, define-se como sublimação sendo “o objeto elevado à dignidade da Coisa, das Ding” (LACAN, 1959-1960, p.140).
O termo no discurso de Lacan “Ding”, faz a retirada nas formulações Freudianas, vem do discurso – Projeto para uma psicologia científica (LACAN, 1950).

   Mesmo Freud não se aprofundando em estudos sobre sublimação, como já foi falado, Lacan se interessou pelo assunto e foi um dos pioneiros em tentar teorizar o contexto de Sublimação. Segundo Lacan (1959-1960/ 1988), sublimação é a elevação de um objeto à dignidade da Coisa - das Ding. Essa Coisa é o enigma que é desvelado e ocultado no movimento da sublimação. A Coisa pode muito bem ser remontada a essa dimensão do real na experiência psicanalítica; real que é o que sempre escapa e o que não cessa de não se escrever. Na obra freudiana, esse real pode ser remontado uma não relação entre os sexos e ao rochedo da castração, para o qual todo final de análise conduz. É essa Coisa que orienta o desejo humano, o que determina sua indestrutibilidade, já que a principal característica de das Ding é ser inassimilável. Essa Coisa é o que se situa além da representação, ao mesmo tempo em que se faz representar por uma coisa. Ou seja, a Coisa remete a um mais além. Temos igualmente uma dimensão de vazio nessa Coisa, meramente “pelo fato de ela não poder ser representada por outra coisa - ou, mais exatamente, de ela não poder ser representada senão por outra coisa” (LACAN, 1959-60/1988, p.162).

   No processo civilizatório da humanidade tratar sobre o tema Sublimação é o mesmo que desempenhar um papel aceito culturalmente pela sociedade em processo sadio transformado. A sublimação é discorrida na teoria freudiana como um dos destinos pulsionais que implica toda reorientação da pulsão na realização de suas metas - um desvio de uma meta sexual para uma meta não sexual.

   Como trabalhar impulsos libidinais através de desenhos artísticos. Contudo, a definição da sublimação na obra Freudiana se dá através de sua indicação ao lado de outros conceitos e métodos de defesa tal como formação reativa, inibição quanto à meta, idealização e recalque. A sublimação, com todos os problemas que ela suscita, nos remete, antes de tudo, a uma problemática da pulsão e aí reside a dificuldade de sua teorização (LACAN, 1988). Conforme este discurso de Lacan, podemos levar à compreensão do porquê da escassez de teorias sobre a Sublimação, a teoria de Freud é notoriamente curta, e alguns teóricos tentaram escrever sobre o que Freud propôs, porém somente Lacan e Kalu Singh realmente se aprofundaram neste conceito.

   “Algo distingue Freud de todos os analistas que vieram depois dele: não repetia uma teoria, elaborava-a de forma autêntica a partir do próprio discurso de seus pacientes”. (MILLER, 1987, p. 57-58). Considerando este relato do autor sobre teoria e práxis, é definitivamente a plasticidade que Freud usa de mais profundo sobre a natureza das pulsões o que permite a compreensão e possibilidade de satisfação de variados tipos de forma, faz com que seja uma via aberta para a sublimação.

   No caso do artista, pode-se dizer que é seu estilo que nos revela essa característica de modificar a forma de pulsão abrindo uma via para a sublimação revelando aquilo que ele realmente é, em toda sua essência, o seu verdadeiro Self. Algo na singularidade e história do artista que corre para além dos temas recorrentes nas obras escritas e/ou desenhadas, algo faz um contraste entre o real, e o imaginário do artista, algo realmente num tema egoico em análise.

   E também devemos lembrar a maneira pela qual esse artista em particular articula-se com seu desejo pulsional na forma de uma pintura em artes de óleo sobre tela, ou sua poesia escritas em formas românticas, ou até mesmo em sua profissão que ao mesmo tempo revela e oculta esse desejo de forma sublimada porém não invertida como nos outros modelos de defesa do ego, de forma branda com a mesma intensidade do desejo pulsional mas não de forma destrutiva como uma pulsão de morte e sim de forma saudável como uma pulsão de vida na maioria dos casos. E o recurso de que o ego se utiliza para tal é a transformação sem o recalque. Freud acrescenta que “a formação de ideal aumenta as exigências do eu, e é o mais forte favorecedor do recalque. A sublimação constitui uma saída que permite cumprir essas exigências sem envolver o recalque” (FREUD, 1914, p.92).

Nos próximos post faremos um breve estudo de caso simples sobre alguns artistas e pintores. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Dia Mundial de Conscientização do Autismo 02 de Abril

   Para trabalharmos o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o Blog Café com Psicologia escolheu um vídeo bem curto porém muito simples para que possamos compreender como é o autismo, e como uma criança autista se sente em seu dia a dia.



Ao iniciar o vídeo, clique na opção “Legendas/CC” na parte inferior à direita para ativar as legendas em Português.




   O que é Autismo? Para entendermos vamos partir do último Manual de Saúde Mental – "DSM-5", que é um guia de classificação diagnóstica para todos os distúrbios do autismo, incluindo outras características que fundiram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro Autista – TEA.


Os sintomas do Autismo classificados são:



- Isolamento do mundo exterior e recusa do contato com os outros (tanto no nível da voz quanto no do olhar);
- Alterações da linguagem que podem ir desde uma ausência total da fala até uma verbagem ininteligível. Em algumas ocasiões, repetição de fragmentos de frases retiradas de filmes ou que foram escutadas de alguém, estabelecendo verdadeiros solilóquios;
- É uma fala que não se dirige a ninguém, que não é usada nem para comunicar nem para estabelecer um diálogo mínimo;
- Ausência de interação com os outros;
- Ausência de jogo simbólico;
- Estereotipias;
- Rituais;
- Temor das mudanças e insistência em manter uma imobilidade naquilo que o rodeia.

   Você conhece alguém que possa ter Autismo? Procure um profissional da saúde como Psiquiatra e Psicólogo, ambos labutarão no diagnóstico clínico e assim trabalhar num progresso significativo para o indivíduo.


   Mais informações ou dúvidas entre em contato via Facebook, ou deixe seu comentário a baixo que responderemos assim que for possível.