quinta-feira, 12 de março de 2015

Medo do Amor

Vamos falar agora de um "tabu" para a sociedade, quando digo a alguma pessoa sobre o medo de amar primeiramente logo vem os olhares de repressão, pois a sociedade implica que estamos sempre loucos para amar a todo momento um amor romântico e cheio de paixão intensa, um encontro carnal que eleve para o resto da vida de ambos.

O medo vem na verdade sobre a parceria em si, sobre a qualidade da relação, o pensar na outra pessoa com palpitações no coração é ameaçador, quando pensamos que o parceiro é exatamente como sonhamos (ou tenha a impressão de).

Podemos classificar o medo de amar em 3 formas:

1- O SOFRIMENTO

Ao dedicar-se a uma pessoa, entregar-lhe suas intimidades e convivência, a separação é muito dolorosa. Uma grande ligação pode-se ter grandes rupturas como, por exemplo, na primeira infância a ruptura do elo com a mãe e a embarcada no mundo físico é extremamente dolorosa e é nossa primeira reação a dor, todo grande sofrimento faz-nos lembrar do desamparo do útero e o sofrimento de solidão e perca brusca de separação. Reflete ao desamparo e ao estar sozinho no mundo.

2- O  MEDO DE PERDER A INDIVIDUALIDADE

Este medo é a simbiose com o parceiro, é o medo de que as personalidades se unifiquem e não se separe mais um pensamento de um individuo para o outro. Nota-se que quando a afinidade de ambos são grandes devia ser um medo inferior aos outros, pois funde-se com um indivíduo muito parecido com o seu "eu" interior. Quando personalidades tem grandes diferenças fica mais difícil manter-se ligado a simbiose, o mesmo aspecto que agrada que é o diferente do "eu" individual é o que repele o mesmo.

3- O MEDO DE SER E ESTAR FELIZ 

Culturalmente falando "Depois da tempestade vem a bonança" e vice-versa, sendo assim, acredita-se que depois de vencer obstáculos virá o tempo para respirar ou que se uma situação está ou se mantém sob controle, acontecerá algo para virar tudo de cabeça para os ar.

Felizmente sabemos que a felicidade de um casal provoca todos estes medos, porém são medos irracionais com cada qual no seu tempo de amadurecimento. Todos os medos irracionais precisam de direcionamento e serem de fato enfrentados e juntos o casal consegue traspassar esse problema.

Onde existe a luta entre sentimento amoroso e "medos" para o outro lado, faz com que a dinâmica acabe sendo vencida na maioria das vezes pelo medo, deixando grandes casais com grandes respectivas de vida felizes serem deixados de lado pelo medo de amar, geralmente com desculpas raciais, preconceito, financeiras, idade, enfim, pretextos para justificar separações de fundo em medos de amar, os que conseguem vencer o medo conseguem uma visão clara de companheirismo juntos, além do amor inicia-se um laço de confiança e a percepção que o medo vai se esvaindo conforme o tempo e o amor e felicidade crescendo a partir dos laços que guerrearam contra a batalha do medo, fazendo-se o fim da paixão (fim do medo) e o inicio do amor (medo decrescente).
Acredite, uma hora a peça do quebra cabeça vai se encaixar, as afinidades com seu parceiro vai se unir e o amor de qualidade irá surgir em seu caminho.

texto "METADE"

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também "   (Oswaldo  Montenegro )


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