quinta-feira, 30 de abril de 2015

Marques de Sade: "A Arte da Sublimação a a Sublimação da Arte"

                                                          “(...) e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes. Mate-me novamente ou aceite-me como eu sou, porque eu não mudarei.” SADE, Marquês 1814.


   Neste post será abordada a História, Vida e Obra do escritor Marquês de Sade, intitulado como perverso, o que poderia então haver com Sublimação?

                                                        “As conotações da palavra são desagradáveis e têm um sabor de moralidade e, portanto, de livre-arbítrio, antiquado nestes tempos de ciência de determinismo”. (STOLLER, Robert, 1986)


   Segundo PAJAZCKOWSKA, Clarice (2005), o conceito de Perversão é definido como atitude sexual, mas não exatamente como uma atitude genital, mesmo que os genitais sejam usados como no exibicionismo que o indivíduo mostra suas genitais, não está fixado uma função genital adulta. Mas tarde a autora ainda afirma que: “existem também atos pervertidos, como roubo e vícios, em que o individuo sente prazer erótico conscientemente, e entende-se como um ato erótico para ele." (PAJAZCKOWSKA, Clarice, 2005)

    Com essa afirmação podemos então levar o texto em sí para a compreensão da sublimação, sendo que a sublimação como já vimos no primeiro capítulo traz prazer ao indivíduo que sublima, fazendo com que sua pulsão sexual seja sublimada de forma saudável e aceita socialmente.

   Segundo Foucault (1981), em seu livro History of Sexuality relata: “Quatro figuras surgiram dessa preocupação com o sexo, que formou ao longo do século XIX: quatro objetos de conhecimento privilegiado, os quais eram também objetivos e ancoradouros para aventuras do conhecimento: a mulher histérica, a criança que se masturbava, o casal malthusiano e o adulto pervertido.

   Clarice (2005) relata sobre esta afirmação de Foucault em seu livro sobre Perversão que acompanhando a sexualidade humana, Foucault apresenta uma hipótese útil aos conceitos em dizer que todos levavam ao seu ideal a preocupação com a sexualidade, e isto acabou-se desencadeando algumas coisas que eram completamente patológicas em sua época.

   Segundo o Psicanalista Ernest Jones (1974, p 267), escreve em sua obra:

“A criação artística serve de expressão de muitas emoções e ideias, de amor pelo poder, da solidariedade diante do sofrimento, do desejo da beleza ideal e assim por diante, mas- a menos que o termo seja ampliada para abranger a admiração por qualquer forma de perfeição- é com o últimos deles, a beleza, que a estética se preocupa mais. Tanto que o sentimento estético pode muito bem ser definido como aquele que é evocado pela contemplação da beleza”( JONES,Ernet 1974)

 Marquês de Sade

   Aqui descreveremos sua história baseada no filme de sua vida e obra QUILLOS (2000), Sade, de nacionalidade francesa, Donatien nasceu em 1740 e em 1814 teve sua morte em um hospício sendo que passou sua história toda sendo perseguido por ser detestável à população. Passou alguns anos da sua vida na cadeia (a primeira vez que lá entrou, terá sido seis meses após o casamento, em Outubro de 1763: foi detido na sequência da acusação de uma prostituta, Jeanne Testard, com quem havia passado uma noite, blasfemando e defecando em imagens sagradas, enquanto a sodomizava e obrigava a renegar de Deus). 

   A censura imposta à sua obra fez com que permanecesse por muito tempo ignorada. Baseou a sua filosofia na premissa de que nada nem ninguém são mais importante do que nós apropriasse o prazeres que nós temos e causamos- e não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes. 

   Nos seus romances Justina, Alina de Valcour, aparecem certas degenerações sexuais que estiveram na origem do termo sadismo. Segundo SADE, Marquês (1814), “(...) e que nada nem ninguém é mais importante do que nós próprios. E não devemos negar-nos nenhum prazer, nenhuma experiência, nenhuma satisfação, desculpando-nos com a moral, a religião ou os costumes. 

   "Mate-me novamente ou aceite-me como eu sou, porque eu não mudarei.". "Perversão sexual na qual o prazer erótico está ligado ao sofrimento infligido a outrem”. Freud explica-o por um complexo ligado ao estágio anal em que a criança descobre que pode fazer sofrer a mãe se não aceita tornar-se limpo. (SADE, Marquês 1814)

   Foi no segundo dos "Três ensaios de sexualidade" das obras completas, que Freud postulou o processo de desenvolvimento psicossexual, o indivíduo encontra o prazer no próprio corpo, pois nos primeiros tempos de vida, a função sexual está intimamente ligada à sobrevivência. O corpo é erotizado, isto é, as excitações sexuais estão localizadas em partes do corpo (zonas erógenas) e há um desenvolvimento progressivo também ligado as modificações das formas de gratificação e de relação com o objeto, que levou Freud a chegar nas fases do desenvolvimento. 
   
   Freud em ensaios da sexualidade afirma que o centro erógeno é a zona do ânus. Uma das funções básicas da fase anal é o controle dos limites do corpo, tem como função básica a defesa da integridade oral. 
   
   Quando se fala de analidade fala-se de um limite, uma maneira de proteção do corpo, proteção da integridade pessoal. A analidade enquanto objeto organizador (para além da dimensão erógena), tem uma função delimitadora, ajuda a organizar as fronteiras entre o eu e o tu, a partir de quando é que nos diluímos nos outros de modo a perdermos a nossa individualidade. A fase anal subdivide-se em 2 sub fases: 1- fase anal evacuativa e 2- fase anal retentiva.
   
   Os comportamentos arriscados são mais frequentes, porque a criança não controla não só a sua analidade, como também a sua raiva, agressividade podendo mesmo ser negativista.- A criança retém, muitas vezes como forma de defender o que deseja. Enquanto relação erógena parcial, a fase sádico anal pode ser decomposta em 3 grandes componentes antitéticos: 1- Passivo-ativo, 2- Sádico-masoquista e 3- Voiarismo-exibicionismo. Com isso podemos compreender onde Marques se encaixa na fase anal. (FREUD, S 1936)

   O "pequeno sadismo" é a sua forma mais difundida, a forma descrita pelo marquês de Sade (que lhe deu o nome): flagelações, crueldades físicas ou morais, reais ou simuladas. Toma muitas vezes um caráter simbólico, "cerebral". 

   Assim as humilhações infligidas por um chefe aos seus subordinados são uma forma de sadismo. Deformação do instinto sexual macho que comporta uma parte de agressividade, combina-se às vezes com outras perversões, especialmente numa curiosa alternância com o masoquismo, que é o seu oposto. (FREUD, S 1936) Quando tem por origem uma verdadeira doença mental (neurose ou psicose), as suas manifestações são mais temíveis e podem ir até ao assassínio. Jack, o Estripador, que cometeu as suas perversidades em Londres no último século, e nunca foi apanhado, é talvez um exemplo de sadismo neurótico." (Dicionário de Psicologia, p.457)

   A partir do filme QUILLOS 2000, onde é exposto sua vida, podemos notar que Marques de Sade tem uma vida notoriamente perturbada, distintas de valores e sentimentos, visando buscar somente o prazer físico.

  Mas a sublimação é visível quando notamos que Sade é impotente sexualmente, e escreve para sublimar seus impulsos sexuais reprimidos, escrevendo assim coisas do qual nunca poderia fazer de forma saudável.

   A escrita para Sade, é uma válvula de escape para não se diluir em loucura, quando no filme QUILLUS 2000, Sade é trancado em um hospício pois é um insulto à Napoleão Bonaparte, e ai então é destinado ao aprisionamento, porém continua publicando suas obras reproduzindo escrúpulos sociais e nojo da população geral. Sade então é proibido de escrever, onde o Abade do monastério retira sua pena e sua tinta, mesmo assim, Marques de Sade continua suas escritas numa tentativa perturbadora de sublimação, com ossos de galinha de seu jantar, e com o vinho da adega do qual recebia todos os dias. Marques escreve em seus lençóis brancos e entrega para a empregada para caminhar outra publicação, onde Abade nota que ainda estão saindo escritos de Sade do hospício, Abade retira a cama de Marques, lençóis e tudo o que há em seu quarto, deixando-o somente com a roupa do corpo. 

   Mesmo assim Marques não pode ser impedido de gritar sua loucura e em um soco no espelho, pega cacos de vidro, corta os dedos e escreve em suas próprias vestes. Abade enfurecido tira as roupas de marques e o deixa nu, em seu quarto, mas nada impede Sade de contar suas histórias a todos que ali estavam.
   
   Como punição de seu mestre é arrancado de sua boca, sua própria língua, como castigo por blasfemar tanto e trancado em uma prisão subterrânea com correntes, fica isolado do mundo, mas Marques então numa tentativa quase que sem volta, escreve com suas próprias fezes nas paredes da prisão, o que acarreta em sua morte como punição, mas antes revela seu segredo mais horrendo onde sua impotência sexual é posta a partir do Abade que compreende então sua história. (QUILLUS 2000)

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