sexta-feira, 12 de junho de 2015

Carta resposta sobre dar e receber: Uma reflexão.

“Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você.Vocês são todos aprendizes, fazedores e professores” Richard Bach, no livro Ilusões.

   Um círculo formado por algumas pessoas. Certamente, em algum momento na sua vida, você já deu as mãos, fazendo um círculo, com outras pessoas, mesmo que para brincar de roda. Você prestou atenção às palmas da sua mão ao segurar a mão de uma pessoa que está ao seu lado?
   O círculo é uma forma geométrica perfeita, sem falhas, onde dois pontos se encontram formando um elo,  uma só união; onde todos podem ver e serem vistos, onde ninguém está na frente ou atrás. Tudo de igual para igual, num todo. 
   No círculo, não existe quem sabe mais e quem sabe menos, o irmão mais novo, o mais alto ou o que ganha mais ou menos. Todos têm a sua sabedoria individual e sua experiência de vida, que só este indivíduo passou no mundo. O círculo simboliza o dar e receber contínuo em nossas vidas: enquanto estou dando com uma mão, estou recebendo com a outra.
   É por isso que ao formarmos um círculo, devemos dar as mãos da seguinte forma:
Uma palma da mão direita fica voltada para baixo e a da esquerda voltada para cima.

- A mão direita representa toda a nossa força, nossa capacidade de ação no mundo e quando nos sentimos fortes, podemos sempre estender nossa mão e ajudar o outro.
- A mão esquerda, é a mão do coração, representa o nosso lado frágil e quando estamos fragilizados, é importante todo o apoio, palavra e mão amiga que recebemos, com a força da ação que só a direita traz.

   Dar e receber.
   Tem pessoas que sabem dar, mas não sabem receber de forma sábia, e há pessoas que recebem porém não sabem compartilhar.
  Tem pessoas que compartilham da "caridade"  esperando receber algo em troca, até o simples obrigado é algo em troca.
  Tem pessoas que recebem e nada compartilham, simplesmente por acharem que não podem compartilhar pois outrora irá faltar-lhes.
  Onde será que está o ponto de equilíbrio entre dar e receber? De fazer a caridade e receber a caridade?
   O ponto de equilíbrio pode ser o amor.
  Quando nos ligamos no amor a outro ser humano ou a vários, algo sutil, precioso e magnifico pode acontecer, onde não tem mais importância o dar e receber, nos ligamos à grande energia que rege o universo, passamos a conhecer a medida das coisas e a saber ouvir as próprias necessidades e as necessidades dos outros, sem fazer uma notinha do que o outro está devendo a você, sem cobrança , colocando somente o bem estar total do ambiente. Não importa quem ajuda mais e quem ajuda menos, não importa que você deu R$ 100,00 e seu irmão te ajudou com R$10,00, o importante é o ajudar quando necessário, ouvir quando precisar e a sorrir profundamente por dar e receber.
   Passamos a entender profundamente cada momento e cada pessoa, assim como são. E aprendemos que dar é receber, receber é dar.

   Deixo aqui  uma pequena estória adaptada de um conto de Hermano Hesse simplificando o dar e receber:
“José e Daniel foram dois renomados curandeiros que viveram em tempos bíblicos. Ambos eram muito eficazes, ainda que trabalhassem de maneiras e com estilos diferentes. 
Ainda que contemporâneos, nunca tiveram um encontro e se consideravam mutuamente rivais. Foi assim durante anos, até que José, o mais jovem, adoeceu espiritualmente. 
Desesperado e sentindo-se incapaz de curar-se a si mesmo, partiu em peregrinação buscando a ajuda de Daniel. Durante seu percurso, descansando em um oásis durante a noite, iniciou uma conversa com outro viajante que, ao escutar o propósito de sua viagem, ofereceu-se como guia para ajudá-lo em sua busca por Daniel. 
Partiram juntos e, no meio de sua longa expedição, o homem mais velho revelou sua identidade. Ele era Daniel, a quem José procurava. 
Ato contínuo, passado o assombro de José, Daniel o conduziu até sua casa, convidando-o a permanecer ali. No princípio, diante do pedido de Daniel, José foi seu servente. Logo aprendiz e, finalmente, um colega de igual hierarquia. Assim viveram e trabalharam juntos muitos anos. 
Anos depois, velho e doente, Daniel pediu a José que escutasse uma confissão. Começou recordando seu encontro no oásis quando José, doente, viajou em busca de sua ajuda e como José havia considerado milagroso aquele encontro. Agora, enfrentando sua própria morte, Daniel quebrou o silêncio de tantos anos confessando que, para ele, também foi milagroso.
 Ele também, naquela época, havia caído em um sombrio desespero, sentindo-se vazio espiritualmente e incapaz de curar a si mesmo. Aquela noite do encontro, ele havia iniciado sua própria viagem em busca da ajuda do famoso curandeiro chamado José.”

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