quarta-feira, 23 de março de 2016

Depressão e culpa: Freud estava certo?


Sigmund Freud dizia que a depressão pode resultar de expressões exageradas de culpa.

Uma pesquisa com imagens cerebrais mostra que os cérebros de pessoas depressivas respondem diferente à sentimentos de culpa – mesmo após o desaparecimento dos sintomas. O estudo da Universidade de Manchester foi publicado na revista Archives of General Psychiatry.

Os pesquisadores descobriram que as varreduras do cérebro de pessoas com um histórico de depressão diferiram, de indivíduos que nunca ficam deprimidos, nas regiões associadas com a culpa e conhecimento do comportamento socialmente aceitável.

A prova concreta apresentada por ressonância magnética funcional mostra como o cérebro responde nas pessoas com diagnóstico de depressão.

Roland Zahn, médico da Escola de Ciências Psicológicas da Universidade, disse: "Nossa pesquisa fornece o primeiro mecanismo do cérebro que poderia explicar a observação clássica por Freud de que a depressão se distingue de tristeza normal pela propensão a sentimentos exagerados de culpa. Pela primeira vez, nós traçamos as regiões do cérebro que interagem para conectar o conhecimento detalhado sobre o comportamento socialmente adequado - o lóbulo temporal anterior - com sentimentos de culpa - a região subgenual do cérebro - em pessoas propensas à depressão"

Pesquisadores utilizaram ressonância magnética funcional para escanear o cérebro de um grupo de pessoas após a remissão da depressão maior por mais de um ano, e um grupo de controle com pessoas que nunca tiveram depressão. Ambos os grupos foram convidados a se imaginar agindo mal, por exemplo: sendo "mesquinhos" ou "mandões" com seus melhores amigos. Eles, então, relataram seus sentimentos para a equipe de pesquisa.

"Os exames revelaram que pessoas com um histórico de depressão não “casaram” as regiões do cérebro associadas com culpa e conhecimento do comportamento apropriado com tanta força como o grupo de controle nunca deprimido fez, disse Zahn.

"Curiosamente, esta "dissociação" só ocorre quando pessoas propensas à depressão se sentem culpadas ou culpam a si mesmas, mas não quando sentem raiva ou culpam os outros. Isso pode refletir uma falta de acesso a detalhes sobre o que exatamente era inadequado sobre seu comportamento quando se culpavam, estendendo assim para si a culpa de coisas pelas quais que não são responsáveis".

Cientistas acreditam que a descoberta é importante porque revela mecanismos cerebrais subjacentes à sintomas específicos de depressão, que podem explicar por que algumas pessoas reagem ao estresse com depressão em vez de agressão.

Os investigadores estão agora estudando se os resultados do estudo podem ser usados ​​para prever o risco de depressão após a remissão de um episódio anterior. Especialistas dizem que, se houver sucesso, a ressonância magnética funcional pode ser uma ferramenta para medir o risco de depressão no futuro.


Tiago Azevedo – Psicoativo.com


O BLOG CAFÉ COM PSICOLOGIA APRESENTA A PUBLICAÇÃO DE TIAGO AZEVEDO DO BLOG PARCEIRO PSICOATIVO.COM  .

Um comentário:

  1. Caro Tiago.

    Muito bom o seu texto sobre depressão e culpa, porém, quero alerta-lo que no cérebro não existe LÓBULO e sim LOBO ( lobo frontal, lobo temporal, lobo occipital, lobo parietal) o Lóbulo se encontra no pulmão e cartilagem da orelha.

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