sexta-feira, 24 de julho de 2015

A dinâmica da transferência

Introdução:


   O texto trabalha sob a visão ocular em tópico quase inexaurível da transferência foi recentemente tratado em início por Wilhelm Stekel, nesse periódico, em estilo descritivo. O texto se refere que deve-se compreender que cada indivíduo, através da ação combinada de sua disposição inata e das influências sofridas durante os primeiros anos, conseguiu um método específico próprio de conduzir-se na vida erótica isto é, nas precondições para enamorar-se que estabelece, nos instintos que satisfaz e nos objetivos que determina a si mesmo no decurso daquela.

   Outra parte relativamente importante do qual o texto transparece é de que os impulsos libidinais foi retida no curso do desenvolvimento; mantiveram-na afastada da personalidade consciente e da realidade, e, ou foi impedida de expansão ulterior, exceto na fantasia, ou permaneceu totalmente no inconsciente, de maneira que é desconhecida pela consciência da personalidade. Se a necessidade que alguém tem de amar não é inteiramente satisfeita pela realidade, ele está fadado a aproximar-se de cada nova pessoa que encontra com idéias libidinais antecipadas e é bastante provável que ambas as partes de sua libido, tanto a parte que é capaz de se tornar consciente quanto à inconsciente, tenham sua cota na formação dessa atitude.

   O texto também aborda a prática da transferência, como não sendo de fato que a transferência surja com maior intensidade e ausência de coibição durante a psicanálise que fora dela. Nas instituições em que doentes dos nervos são tratados de modo não analítico, podemos observar que a transferência ocorre com a maior intensidade e sob as formas mais indignas, chegando a nada menos que servidão mental e, ademais, apresentando o mais claro colorido erótico.

   Outra questão levantada no texto faz pensar que o problema de saber o por que a transferência aparece na psicanálise como resistência está por enquanto intacto e temos agora de abordá-lo mais de perto. Figuremos a situação psicológica durante o tratamento. Uma precondição invariável e indispensável de todo desencadeamento de uma psiconeurose é o processo a que Jung deu o nome apropriado de ‘introversão’. Isto equivale a dizer: a parte da libido que é capaz de se tornar consciente e se acha dirigida para a realidade é diminuída, e a parte que se dirige para longe da realidade e é inconsciente, e que, embora possa ainda alimentar as fantasias do indivíduo, pertence todavia ao inconsciente, é proporcionalmente aumentada. A libido (inteiramente ou em parte), entrou num curso regressivo e reviveu os imagos infantis do indivíduo. O tratamento analítico então passa a segui-la; ele procura rastrear a libido, torná-la acessível à consciência e, enfim, útil à realidade. No ponto em que as investigações da análise deparam com a libido retirada em seu esconderijo, está fadado a irromper um combate, todas as forças que fizeram a libido regredir se erguerão como ‘resistências’ ao trabalho da análise, a fim de conservar o novo estado de coisas.

   Assim, a transferência, no tratamento analítico, invariavelmente nos aparece, desde o início, como a arma mais forte da resistência, e podemos concluir que a intensidade e persistência da transferência constituem efeito e expressão da resistência. Ocupamo-nos do mecanismo da transferência, é verdade, quando o remontamos ao estado de prontidão da libido, que conservou imagos infantis, mas o papel que a transferência desempenha no tratamento só pode ser explicado se entrarmos na consideração de suas relações com as resistências.

   A manifestação de uma transferência negativa é, na realidade, acontecimento muito comum nas instituições. Assim que um paciente cai sob o domínio da transferência negativa, ele deixa a instituição em estado inalterado ou agravado. A transferência erótica não possui efeito tão inibidor nas instituições, visto que nestas, tal como acontece na vida comum, ela é encoberta ao invés de revelada. Mas se manifesta muito claramente como resistência ao restabelecimento. Do ponto de vista do restabelecimento, é completamente indiferente que o paciente supere essa ou aquela ansiedade ou inibição na instituição. Pode-se levantar ainda a questão de saber por que os fenômenos de resistência da transferência só aparecem na psicanálise e não em formas indiferentes de tratamento, sendo que eles também se apresentam nestas outras situações, mas têm de ser identificados como tal. A manifestação de uma transferência negativa é, na realidade, acontecimento muito comum nas instituições. Assim que um paciente cai sob o domínio da transferência negativa, ele deixa a instituição em estado inalterado ou agravado.

   Para conclusão, o texto refere-se ao processo de procurar a libido que fugira do consciente do paciente, penetramos no reino do inconsciente. As reações que provocamos revelam, ao mesmo tempo, algumas das características que viemos a conhecer a partir do estudo dos sonhos. Os impulsos inconscientes não desejam ser recordados da maneira pela qual o tratamento quer que o sejam, mas esforçam-se por reproduzir-se de acordo com a atemporalidade do inconsciente e sua capacidade de alucinação. Tal como acontece aos sonhos, o paciente encara os produtos do despertar de seus impulsos inconscientes como contemporâneos e reais; procura colocar suas paixões em ação sem levar em conta a situação real. O médico tenta compeli-lo a ajustar esses impulsos emocionais ao nexo do tratamento e da história de sua vida, a submetê-lo à consideração intelectual e a compreendê-lo à luz de seu valor psíquico. Esta luta entre o médico e o paciente, entre o intelecto e a vida instintual, entre a compreensão e a procura da ação, é travada, quase exclusivamente, nos fenômenos da transferência. É nesse campo que a vitória tem de ser conquistada - vitória cuja expressão é a cura permanente da neurose. Não se discute que controlar os fenômenos da transferência representa para o psicanalista as maiores dificuldades, mas não se deve esquecer que são precisamente eles que nos prestam o inestimável serviço de tornar imediatos e manifestos os impulsos eróticos ocultos e esquecidos do paciente.



Referências:

FREUD, S. (1910/1970). As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 11, pp. 143-156). Rio de Janeiro: Imago.

FREUD, S. (1915/1969). Observações sobre o amor transferencial. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 12, pp. 208-221). Rio de Janeiro: Imago.

KOHLENBERG, R. J., TSAI, M. (2001). Psicoterapia analítica funcional: criando relações terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETec.

VANDENBERGHE, L. M. A. (2006). Psicoterapia Analítica Funcional - FAP. Curso ministrado no XV Encontro da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental.









segunda-feira, 20 de julho de 2015

Resumo: Sigmund Freu, Vol. XIV (1914-1916): Luto e Melancolia




O Texto de Sigmund Freud sobre luto e melancolia trata-se de: “A melancolia, cuja definição varia inclusive na psiquiatria descritiva, assume várias formas clínicas, cujo agrupamento numa única unidade não parece ter sido estabelecido com certeza, sendo que algumas dessas formas sugerem afecções antes somáticas do que psicogênicas. Nosso material, independentemente de tais impressões acessíveis a todo observador, limita-se a um pequeno número de casos de natureza psicogênica indiscutível.
Desde o início, portanto abandonaremos toda e qualquer reivindicação à validade geral de nossas conclusões, e nos consolaremos com a reflexão de que, com os meios de pesquisa à nossa disposição hoje em dia, dificilmente descobriríamos alguma coisa que não fosse típica, se não de toda uma classe de perturbações, pelo menos de um pequeno grupo delas”. O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica.
           
      O texto também aborda correlações que Sigmund Freud cita como: O ponto essencial, portanto, não consiste em saber se a auto difamação aflitiva do melancólico é correta, no sentido de que sua autocrítica esteja de acordo com a opinião de outras pessoas. O ponto consiste, antes, em saber se ele está apresentando uma descrição correta de sua situação psicológica. Ele perdeu seu amor-próprio e deve ter tido boas razões para tanto. É verdade que então nos deparamos com uma contradição que coloca um problema de difícil solução. A analogia com o luto nos levou a concluir que ele sofrera uma perda relativa a um objeto; o que o paciente nos diz aponta para uma perda relativa a seu ego.

Antes de passarmos a essa contradição, percebemos um conceito que a perturbação do melancólico oferece a respeito da constituição do ego humano. Vemos como nele uma parte do ego se coloca contra a outra, julga-a criticamente, e, por assim dizer, toma-a como seu objeto. Nossa desconfiança de que o agente crítico, que aqui se separa do ego, talvez também revele sua independência em outras circunstâncias, será confirmada ao longo de toda a observação ulterior. Realmente, encontraremos fundamentos para distinguir esse agente do restante do ego. Aqui, estamos familiarizando com o agente comumente denominado ‘consciência’; vamos incluir, juntamente com a censura da consciência e do teste da realidade, entre as principais instituições do ego, e poderemos provar que ela pode ficar doente por sua própria causa. No quadro clínico da melancolia, a insatisfação com o ego constitui, por motivos de ordem moral, a característica mais marcante. Freqüentemente, a auto-avaliação do paciente se preocupa muito menos com a enfermidade do corpo, a feiura ou a fraqueza, ou com a inferioridade social; quanto a essa categoria, somente seu temor da pobreza e as afirmações de que vai ficar pobre ocupam posição proeminente.

Segue na obra que a melancolia, portanto, toma emprestado do luto alguns dos seus traços e, do processo de regressão, desde a escolha objetal narcisista para o narcisismo, os outros. É por um lado, como o luto, uma reação à perda real de um objeto amado; mas, acima de tudo isso, é assinalada por uma determinante que se acha ausente no luto normal ou que, se estiver presente, transforma este em luto patológico. A perda de um objeto amoroso constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Onde existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a expressar-se sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, que ela a desejou. Esses estados obsessivos de depressão que se seguem à morte de uma pessoa amada revelam-nos o que o conflito devido à ambivalência pode alcançar por si mesmo quando também não há uma retração regressiva da libido. Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as precondições da melancolia. Se o amor pelo objeto — um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja — se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A autotortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da autopunição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual na doença se centraliza, em geral se encontra eu seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à ‘ambivalência’, foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito.

“Não posso prometer que essa tentativa venha a ser inteiramente satisfatória. Mal nos leva além da possibilidade de tomarmos nossa orientação inicial. Temos duas coisas a empreender: a primeira é uma impressão psicanalítica; a segunda, o que talvez possamos chamar de um tema de experiência econômica geral. A impressão que vários investigadores psicanalíticos já puseram em palavras é que o conteúdo da mania em nada difere do da melancolia, que ambas as desordens lutam com o mesmo ‘complexo’, mas que provavelmente, na melancolia, o ego sucumbe ao complexo, ao passo que, na mania, domina-o ou o põe de lado. Nosso segundo indicador é proporcionado pela observação de que todos os estados, tais como a alegria, a exultação ou o triunfo, que nos fornecem o modelo normal para a mania, dependem das mesmas condições econômicas. Aqui, aconteceu que, como resultado de alguma influência, um grande dispêndio de energia psíquica, de há muito mantido ou que ocorre habitualmente, finalmente se torna desnecessário, de modo que se encontra disponível para numerosas aplicações e possibilidades de descarga”
(Sigmund Freud 1914)

Para Freud a resposta rápida e fácil é que ‘a apresentação (da coisa) inconsciente do objeto foi abandonada pela libido’. Na realidade, contudo, essa apresentação é composta de inumeráveis impressões isoladas (ou traços inconscientes delas) e essa retirada da libido não é um processo que possa ser realizado num momento, mas deve, por certo, como no luto, ser um processo extremamente prolongado e gradual. Se ele começa simultaneamente em vários pontos ou se segue alguma espécie de seqüência fixa não é fácil decidir; nas análises, torna-se freqüentemente evidente que primeiro uma lembrança, e depois outra, é ativada, e que os lamentos que soam sempre como os mesmos, e são tediosos em sua monotonia, procedem, não obstante, cada vez de uma fonte inconsciente diferente. Se o objeto não possui uma tão grande importância para o ego — importância reforçada por mil elos —, então também sua perda não será suficiente para provocar quer o luto, quer a melancolia.

Essa característica de separar pouco a pouco a libido deve, portanto, ser atribuída de igual modo ao luto e à melancolia, sendo provavelmente apoiada pela mesma situação econômica e servindo aos mesmos propósitos em ambos.

Por fim podemos dizer que no trabalho da melancolia, portanto, a consciência está inclinada a uma parte que não é essencial, e nem sequer é uma parte à qual possamos atribuir o mérito de ter contribuído para o término da doença. Vemos que o ego se degrada e se enfurece contra si mesmo, e compreendemos tão pouco quanto o paciente a que é que isso pode levar e como pode modificar-se. De forma mais imediata, podemos atribuir tal função à parte inconsciente do trabalho, pois não é difícil perceber uma analogia essencial entre o trabalho da melancolia e o do luto. Do mesmo modo que o luto compele o ego a desistir do objeto, declarando-o morto e oferecendo ao ego o incentivo de continuar a viver.

Referencias Bibliográficas:


FREUD, Sigmund. Volume XIV Ed. Imago (RJ). (ANO1914-1916) - LUTO E  MELANCOLIA

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sonhar e Re-Sonhar na Gestalt Terapia.


A palavra Gestalt tem origem alemã e surgiu em 1523 de uma tradução da Bíblia, significando "o que é colocado diante dos olhos, exposto aos olhares". Hoje adotada no mundo inteiro significa um processo de dar forma ou configuração. Gestalt significa uma integração de partes em oposição à soma do "todo"; dizer que um processo, ou o produto de um processo é uma Gestalt, significa dizer que não pode ser explicado pelo mero caos, ou uma mera combinação cega de causas essencialmente desconexas, mas que sua essência é a razão de sua existência, (Gestalt-centro 1997). 

Pode-se considerar que a Gestalt-terapia germinou no espírito de Frederick Perls em 1940, na África do Sul. Quando imigrou, nesta mesma época, para a América com sua esposa Laura Perls, que era membro da Escola Gestáltica da qual Perls sofreu grande influência, se integraram a um grupo de intelectuais não-conformistas com o sistema vigente, entre eles, o anarquista Paul Goodman, Isadore From, Paul Weisz e Ralf Hefferline, (Gestalt-centro 1997).

A Gestalt-Terapia apresenta-se como uma abordagem fenomenológico-existencial, ou seja, uma psicoterapia vivencial que ressalta a consciência do aqui-e-agora, através do foco de como o fenômeno nos é apresentado, muito mais do que no por quê. Pode ser considerado “existencial” tudo que diz respeito à forma como o homem experimenta sua existência, a assume, a orienta, a dirige. A noção de responsabilidade de cada pessoa que participa ativamente da construção de seu projeto existencial em sua relativa liberdade, (GINGER, 1987, p. 36).

PERLS (1977) considera que antes de procurarmos as coisas que porventura estejam por detrás, melhor faremos se focalizarmos nossa atenção no que está ali, dado, presente, visível. Além de que, nisto que está aí, neste óbvio, certamente também estão presentes elementos do que possa estar por detrás.      A Gestalt-terapia é uma atitude de re-descobrir aquilo que está ali, é uma atitude de lidar com o novo como novo, é uma atitude de nada afirmar nem negar.

Para a Gestalt-terapia, o homem sempre está em processo de desenvolvimento, sendo a noção de processo algo que está em permanente movimento, em constante mudança. Trabalhamos para promover o processo de crescimento e desenvolver o potencial humano; a tentativa é de ampliar este potencial, através do processo de integração. Assim, integrando as partes conhecidas e desconhecidas, partes que aceitamos e negamos em nós mesmos, vamos nos tornando aquilo que realmente somos e, consequentemente, a vida flui de forma mais saudável. “Nós fazemos isso apoiando os interesses, desejos, e necessidades genuínas do indivíduo”, (PERLS, 1977, p.19).

A Gestalt-terapia é considerada uma terapia do contato , pois acreditamos que a todo o momento estamos em contato com o meio, e através deste contato com o meio que o funcionamento humano pode tornar-se saudável ou disfuncional. É através do contato que nos damos conta de nosso processo, e que podemos ser criativos na forma de ver o mundo e de fazer escolhas na vida, (Gestalt-centro, 1997).

Desta forma, o trabalho clínico em Gestalt-terapia é buscar uma ampliação da consciência do indivíduo sobre seu próprio funcionamento, ou seja, uma awareness sobre como ele funciona, como se interrompe no seu processo de contato consigo e com o mundo, quais as suas tentativas para alcançar seu próprio equilíbrio, tomando suas próprias decisões e efetuando escolhas que atendam as suas reais necessidades. Para YONTEF, (1998) é importante que o indivíduo assuma suas responsabilidades diante de suas escolhas, diante de sua vida, conforme ele vai se conscientizando de suas escolhas, de seu modo de viver, é possível, então, realizar mudanças, pois através do contato, a mudança simplesmente ocorre.

 RIBEIRO (1985), afirma que a Gestalt é: é um apelo interno de desvendar-se, de se deixar descobrir, tocar, analisar. Este autor acrescenta:

“Heidegger dizia que encarregar-se de alguma coisa, de uma pessoa, significa ouvi-la, quere-la. É o que estamos tentando fazer: ouvir o ser querê-lo, penetrar no ser através da Gestalt que ele é descobrir-lhe a proveniência, para sentir o como do seu” deixar de ser”.
                                                   (RIBEIRO,1985. pág. 31)

Enfim, a Gestalt-terapia promove novas formas de olhar para a vida, em que nada é definitivo, existem sempre possibilidades a serem exploradas, escolhas novas a serem feitas. A aceitação genuína de nossa forma de funcionar, nos permite enfrentar as situações com mais criatividade e mais leveza, com a certeza de que sempre fazemos o melhor naquele momento (KIYAN, 2001).

Para a Gestalt-terapia, é importante que o cliente seja tratado como um ser digno de confiança, isto é, responsável por si mesmo, pois, se escolhe ser o que é, é uma totalidade que pode ser integrada, voltado para a consciência, autoregulado, em permanente energia de autorrealização e presentificação, e em busca de dar um sentido as suas percepções, às suas experiências, á sua existência (Ribeiro, 1999).
Em Gestalt-terapia os sonhos são considerados um caminho para a integração de aspectos da personalidade, pela integração das diversas partes que o compõem. Classicamente, o trabalho com o sonho é feito no presente, mediante ação e tendo por base a experiência do sonhador. Cada um dos componentes do sonho (coisas, pessoas, lugares etc.), seriam representações alienadas do sonhador a serem resgatadas e integradas num todo (Gestalt). O trabalho com sonhos é delimeado como um experimento, no qual o cliente é levado a experenciar e explorar seu sonho, orientado pelas intervenções do psicoterapeuta (Pereira, 2002).
O trabalho com os sonhos não consiste simplesmente em associar palavras ou idéias, muito menos construir hipótese, mas perceber com todos os sentidos em meu corpo e em minhas emoções o impacto das imagens, eventualmente encenadas e assim permitindo-se experenciar a encarnaçao do verbo aqui e agora ( Ginger; Ginger, 1995).
Apesar dos sonhos parecerem absurdos eles são a expressão mais espontânea da nossa existência. Perls considerava o sonho como uma obra de arte, esta sempre cheio de movimento, luta, encontros e outros tipos de coisas e acreditava que todas as partes do sonho são fragmentadas da nossa personalidade. E o trabalho do sonho, consiste justamente em reintegrar essa parte, para voltar a inteireza ou totalidade humana, assim ressumiria as partes projetadas e todo o potencial oculto que aparece no sonho ( Agrassar; Cunha, 1992).
Em Gestalt-terapia não se interpreta o sonho, faz-se dele algo muito interessante, traz-se ele de volta a vida. A forma de chegar a isto é revivendo o sonho como se ele se desenrolasse no presente. Ao invés de contá-lo como se fosse uma história passada, utiliza-se de técnica da dramatização, encenando-o no presente, de modo que ele se torne parte de você mesmo, de forma que você esteja verdadeiramente envolvido nele com cada elemento, detalhe dele e depois dramatiza cada um, tornando-se cada um deles ( Ginger; Ginger, 1995).
Segundo a Gestalt-terapia a forma de se trabalhar com os sonhos é pedindo ao cliente que o descreva, e em seguida dramatize de forma sucessiva os variados elementos nele contido, e assim, o terapeuta sugere ao cliente que ele se identifique sucessivamente com estes elementos, com palavras, gestos, expressões, evidenciando que cada um desses elementos seja uma gestalt inacabada ou uma expressão parcial do próprio sonhador. No decorrer do trabalho com o sonho, o cliente poderá ser convidado a encarnar uma estrada pela qual percorre, a bolsa que leva, a pedra pelo qual passou, se conscientizando em cada um desses elementos e dramatizando cada sentimento, emoção e sensação que ocorra no momento ( Ginger; Ginger, 1995).
Segundo Agrassar e Cunha (1992), observa-se que cada parte do sonho é um aspecto que se revela a respeito da pessoa que está sonhando, portanto, é essencial que ela vivencie cada parte de seu sonho. É necessário transformar-se, identificar-se com cada coisa, com cada sensação, com cada pessoa, de forma que o cliente torne-se a coisa, a sensação, a pessoa.

sábado, 4 de julho de 2015

Carta resposta sobre adoção de crianças por casais gays.

Um aluno de um curso superior me fez a seguinte pergunta: "Gostaria de saber sobre a adoção de crianças por casais gays, se no decorrer da vida da criança existe algum prejuízo em aspecto educacional ou social."

Bem minha resposta é a seguinte:

Caro colega, acredito que família e núcleo familiar não distingue especificamente sexo, simplesmente funções que são denominadas de cuidados com a criança em seu aspecto totalitário e individual, costuma-se dizer na Psicologia que "pai e mãe" é função.

Função refere-se a cuidados básicos, ou seja, carinho, amor, alimentação. Um casal GAY assim como o casal HÉTERO são totalmente aptos para essas funções que não são definidas por sexo, nem raça e sim por ações e amadurecimento.

Cabe nossa consciência definir o que vale mais um preconceito humano do qual refere-se a não potencia dos cuidados de uma criança por um casal gay, ou a prepotência de achar que só os héteros podem dar uma boa educação aos filhos.

Em resumo uma criança pode ser completamente saudável em seus aspectos psicológicos criada por héteros ou gays. O que difere é como essa criança será cuidada, se for com amor e em um ambiente favorável, com alimentação e cuidados básicos garanto que não haverá problemas graves, porém, cada individuo é único e o que é bom para uma família independente do conceito é o carinho, respeito e amor a ser dado a esta criança.

Aplaudo a adoção por pessoas competentes, que tiram crianças das ruas e as contemplam com uma vida digna cheia de sonhos e conquistas. Acredito que a sociedade deve ver com outros olhos a adoção e concentrar-se no bem estar da criança, e não no preconceito enraizado social que alguns insistem em levar. Dê uma chance para o amar e ser amado, querer e ser querido, sair das ruas e ter uma família para chamar de sua.