sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Noticia -Um Biscuit para Kéfera . A arte é importante ?

  
  A Hashtag desta semana está causando um tumultuo no Facebook  pois a Vlogueira Kéfera disse a seguinte frase: " Você ganha um presente Lixo, enquanto da um presente Incrível  em troca de um Biscuit" . 
  As artesas que ganham a vida vendendo Biscuit encontraram-se notoriamente ofendidas , pois o Biscuit é o meio de vida das artesas que moldam bonecos muito bonitos em todo o Brasil. 
   Minha colocação como Psicóloga é que eu acredito na arte como expressão de sentimentos internos, se uma pessoa  por profissão ou por hobby ,  consegue alcançar o seu intimo sublimando em aspectos e transformando de alguma forma um potencial social positivo e aproveitável  significa que ela está trabalhando uma melhora na sua qualidade de vida .
  A arte quando chega aos olhos de apreciadores causa emoções geralmente positivas em prol ao artesão e artista. 
 Até mesmo um pequeno imã de geladeira feito com as mãos é um sinal que alguém parou   por algumas horas para fazê-lo com cuidado e apreciação dedicando-se para que quando alguém o observasse , considerasse também a beleza daquele pequeno item e a emoção que o mesmo transmite.
  A arte é muito importante a nossa cultura , e não importa em que aspecto, pintura, grafite, desenhos, arte de modelar, esculturas, danças e artesanatos em geral. A arte toca a alma, tanto do artista como de que vê. Eu como Psicóloga costumo usar artesanatos, e arte em geral em clinica para que o paciente possa ter uma melhor qualidade de vida trabalhando com seu "eu interno"  , considerando que a arte é  um valioso instrumento para trabalho, e também é uma ferramenta de análise do Psicólogo. 


"Arteterapia é uma área de atuação profissional que utiliza recursos artísticos com finalidade terapêutica"  (Carvalho, 1995)



Confira o vídeo da Vlogueira :


Veja também, o vídeo de algumas artesãs que estão usando a Hashtag:


 
Laura Biscuit




                                                              Mo Artesanatos

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Annelise Brandão Colaboradora do Blog


Reportagem Publicada na revista Garça em destaque  SP,2015 . Escrita por Annelise Brandão Rodrigues Perez .Psicóloga Clínica 

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Quem pode parar o Bullying ?




Quem pode parar o Bullying ?
Nas escolas ? Nas ruas ? Quem vai parar esses maus tratos com pessoas indefesas ?
Assista o vídeo e reflita.  

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Palestra : Relacionamentos: Causas Comuns de Desentendimento e Auxilio para o Fortalecimento Saudável .

Psicóloga Cheiza Cristine Pellate , faz um Bate -papo descontraído sobre:-  Relacionamentos: Causas Comuns de Desentendimento e Auxilio para o Fortalecimento Saudável. 

Dia 15/10 ás 20 horas no recinto Maison por Renan Ferrari. 
Aguardamos sua presença  , vagas limitadas. (Limeira , São Paulo) 

Maiores informações : (19) 3033.5202

domingo, 27 de setembro de 2015

Síndrome de Burnout: Quando o esgotamento profissional vira doença.

   Com o mercado competitivo as pessoas acabam se entregando demais aos seus respectivos trabalhos aumentando demais sua produtividade e carga horária, assim acarretando prejuízos para a própria saúde.


   A Síndrome de Burnout é a consequência desse ritmo de trabalho desgastante, ela é caracterizada pelo estresse crônico e tensão emocional, causados por condições de trabalho físicas, emocionais e psicológicas desgastante. O termo burnout significa que o desgaste danifica aspectos físicos e psicológicos da pessoa, sua tradução do inglês é, “burn” quer dizer “queima” e “out” significa “exterior”. Essa doença pode ser encontrada em qualquer profissão, mas em geral atinge profissionais que lidam direto e intensamente com pessoas e influenciam suas vidas. Como por exemplo, nas áreas da saúde, educação, assistência social, recursos humanos, bombeiros, policiais, advogados, jornalistas, entre outros.

   Os sintomas psíquicos dessa síndrome é a sensação de esgotamento físico e emocional que se reflete em atitudes negativas, como ausência no trabalho, isolamento, agressividade, variações de humor, dificuldade em concentração, lapsos de memória, agressividade, ansiedade, baixa autoestima, depressão. Já os sintomas físicos são dor de cabeça constante, pressão alta, tontura, falta de ar, sudorese, insônia, excesso de cansaço, dores musculares, distúrbios gastrintestinais, palpitações. O diagnóstico leva em conta o levantamento da história do paciente e seu envolvimento e realização pessoal no trabalho. Respostas psicométricas no questionário baseado na Escala Likert que ajuda a estabelecer o diagnóstico. Para o tratamento é indicado psicoterapia, medicamentos e exercícios físicos.

   Na psicoterapia o psicólogo vai ajudar o paciente a trabalhar com o estresse, ensinando-o a evitar e diminuir seu nível através de troca de experiências que ajudam a melhorar o autoconhecimento e a ter mais segurança no seu trabalho. O tratamento com uso de medicamentos vai ser um tratamento prescrito por um psiquiatra, o antidepressivo ajuda no tratamento reduzindo os sintomas de incapacidade e aumentando a confiança do paciente. Atividade física regular e exercícios de relaxamento devem entrar para a rotina da pessoa, pois ajuda a controlar e diminuir os sintomas psicológicos e físicos. É ideal que o paciente siga todas as recomendações passadas a ele para que sua recuperação seja mais rápida e eficaz, assim tendo novamente uma vida e mente saudável.

   Se você se identificou com esse texto ou conhece alguém que esteja passando por essa situação, procure uma ajuda profissional, consulte um psicólogo para assim melhorar sua qualidade de vida e seu dia a dia no trabalho.


Annelise Brandrão Rodrigues Perez

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A Psicologia e técnicas de vendas: Treinamento do Bom Vendedor




   Pensando em Técnicas de vendas, já presenciei inúmeros vendedores de lojas perdendo sua venda em potencial por não usar o comportamento e argumento correto ao se relacionar com o cliente, a partir de agora, vamos postar eventualmente técnicas diversificadas de vendas para que o jovem vendedor e/ou vendedores experientes e/ou equipes de treinamento de lideranças aperfeiçoarem suas estratégias de vendas para melhor esclarecimento e preparo do vendedor e atendimento do publico.

   Primeiramente um bom vendedor deve estar Psicologicamente preparado para ele como ser individual, para o cliente que vai até ele, para a venda que irá se efetivar e para a volta do cliente.

   Para conseguirmos compreender mais a fundo a estratégia de venda precisamos compreender que um Profissional de vendas necessita estar preparado para o dia a dia com exercícios diários do bom vendedor:

1- ANIME-SE SOZINHO: Fale com ânimo e positividade sobre quem é você, seus aspectos positivos, sua personalidade, casa e amigos. Suas conquistas e oportunidades rotineiras sempre de modo positivo;

2- VISUALIZE OS RESULTADOS POSITIVOS: Forme em sua cabeça uma imagem fixa mental que vibre seus objetivos de vida no presente aqui e agora, pense neles de forma clara e objetiva para seu futuro imediato, sem deixar para depois;

3- ALIMENTE-SE BEM: Tenha uma alimentação leve e saudável, para manter seu corpo bem e disposto;

4-  SOCIALIZE-SE COM PESSOAS COM A MESMA ENERGIA QUE VOCÊ: Se você vibra energia positiva como um bom vendedor, evite o contato direto e/ou constante com pessoas pessimistas e/ou negativas, contemple pessoas positivas em sintonia de crescimento;

5- ESTUDE E RECICLE-SE: Um bom profissional mantem-se em gradual estudo para melhorar suas práticas e técnicas, nunca estacione e busque sempre mais!

6- AMPLIE SEU TEMPO: Tempo é dinheiro e isso é um fato, determine suas ações diárias, trace metas, objetivos, reúna-se com pessoas que você se espelha, busque mais para você conseguir ainda mais para sua carreira ampliar e brilhar;

7- FAÇA UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO DE CARREIRA: O plano estratégico diz quem você é no momento, quem você quer ser, e onde quer chegar nos próximos anos ou meses, onde você quer chegar depende unicamente de você.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O poder do elogio



   Depois de muito refletir fiquei pensando quem é que não gosta de ser elogiada depois da conclusão de algo bem feito com muito trabalho ou até  mesmo pelas coisas simples  do dia a dia?


   Por vivermos numa sociedade com grandes tendências e potências críticas para os erros com trabalho, produção, escola e entre outros, perdemos muitas vezes o contato com nosso senso essencial para a valorização das conquistas diárias consideradas como elogios.

   O elogio é fundamental para a formação de qualquer ser humano, um dos principais ingredientes para a construção da autoestima e da segurança, onde vemos que quando somos crianças e fazemos algo que nossos pais gostam ou sorriem repetimos inúmeras vezes para novamente sentir a aprovação das autoridades, neste caso a figura dos pais.

   Durante a infância, é necessário que os pais estejam atentos para elogiar os filhos pois, assim, eles desenvolvem o potencial da autoestima para o ser individual que é a criança. Com o tempo os elogios diminuem porém a auto imagem firmada na autoestima infantil não se abala conforme os anos forem passando.

   Quando uma pessoa trata mau um outro alguém a autoestima diminui e isso pode afetar 
a forma que esta pessoa se vê diante as outras, como por exemplo uma criança que é acusada de ser "burra" ela internaliza, e acredita realmente ser, quebrando totalmente sua autoestima perante si e a sociedade.

   Quando as críticas se fazem necessárias, o indivíduo necessita  ponderar sua atitude e forma de se pronunciar, pois além de apontar o negativo pode plantar ainda mais negativo na pessoa que já está fragilizada. Para falar sem agredir sugira junto a crítica  alguma solução construtiva para mudarem juntos, onde um ajuda o outro no desenvolvimento integral. 

   Com respeito, o elogio torna-se mais fácil e construtivo, fale somente o que de fato é necessário, não exagere e trate bem as pessoas sem moderação!

   O elogio é como flores delicadas em um jardim, caso você não regue ela murcha e morre, caso você regue tudo florescerá e ficará ainda mais lindo do que quando se iniciou.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Como seria se conhecêssemos pessoas dentro de uma sala escura?

   Assista o vídeo abaixo e compreenda como pessoas comuns em uma sala escura podem pensar e criar imagens a respeito de outras pessoas, imagens essas que as fazem crer ser mais próxima dos rótulos que diariamente colocamos em pessoas.


   O vídeo expõe a facilidade com que rotulamos quase que automaticamente porém, mostra também como podemos nos surpreender ao conhecer uma pessoa como ela realmente é, o quão magnifica ela pode ser e totalmente diferente da pré suposição que inicialmente se tinha, possibilitando a transformação do pré-conceito em um laço afetivo de amizade saudáveis.

sábado, 1 de agosto de 2015

Atendimento em pacientes terminais: uma forma de conexão com a vida que ainda esta aí.

SILVA, Ariane Cristina.
Aluna do curso de Psicologia da ACEG-FASU

 MODESTO, Rosana Fortunato.
Aluna do curso de Psicologia da ACEG-FASU

PELATTE, Cheiza Cristine.
Aluna do curso de Psicologia da ACEG-FASU



   A conceituação de paciente terminal não é algo simples de ser estabelecido, embora frequentemente nos deparemos com avaliações consensuais de diferentes profissionais. Talvez, a dificuldade maior esteja em objetivar este momento, não em reconhecê-lo (GUTIERREZ 2001).
   A terminalidade parece ser o eixo central do conceito em torno da qual se situam as consequências, é quando se esgotam as possibilidades de resgate das condições de saúde do paciente e a possibilidade de morte próxima parece inevitável e previsível. O paciente se torna "irrecuperável" e caminha para a morte, sem que se consiga reverter este caminhar (GUTIERREZ 2001).
   A terminalidade da vida é algo inerente a todo ser humano e, na atualidade, a questão do cuidado da vida humana no seu final tornou-se significativa em nossa sociedade, na área da saúde, especialmente na medicina (PESSINI 2001).

   É preciso resgatar de forma mais ampla o valor do cuidado que ficou em segundo plano ante a busca da cura das doenças, e que num sentido mais amplo, abrange aspectos humanos, espirituais, psicológicos e sociais. Segundo PESSINI (1996), estes cuidados são necessários à reabilitação dos pacientes para que possam conviver com sua limitações, ou seja, mesmo que eles não tenham possibilidade terapeutica de cura clínica, que possam ter a sua condição de ser humano e ser social ativo, não apenas na dimensão biológica. Uma assistência digna e humanizada, além do domínio das tecnologias empregadas nos pacientes em UTIs, é dotada de outras características:

[...] cuidar é mais que um ato ou momento de atenção, zelo e desvelo. É uma atitude. E por atitude, nessa situação, entende-se a fonte geradora de muitos atos que expressam a preocupação, a responsabilização radical e a aproximação vincular com o outro. Cuidar portanto, configura uma atitude que possibilita a sensibilidade para com a experiência humana, reconhecendo o outro como pessoa e sujeito [...] (ZOBOLI 2003; 1(1): 38-40)


   Esse reconhecimento e sensibilidade para com o outro deve permear as ações de todos os profissionais para com os pacientes nas UTIs, pois encontram-se em estado de fragilidade física e, quase sempre, emocionalmente e espiritualmente sensibilizados. Entre os pacientes nas UTIs, existe um grupo distinto de pacientes, que é caracterizado pelo uso de muitos recursos tecnológicos, mas com resultados desanimadores, pois num determinado momento da evolução de sua doença, não é mais possível salva-lo, sendo inevitável o processo de morte (FRANÇA, 2000).
   O que caracteriza os pacientes terminais, que são aqueles acometidos por uma doença de difícil tratamento, por um conjunto de situações em que se esgotam as possibilidade terapêuticas de cura ou para prolongar a vida de forma digna e, quando há uma disfunção irreversível do sistema nervoso central (STEFANINI; ROSENTHAL; SIMON, 1998).
   Além disso, é o conjunto das condições e situaçoes que levam os médicos a considerar que não é fácil a definição de paciente terminal, e que mesmo a expressão terminal chega a ser complexa, pois é imprecisa. A dificuldade esta na determinação de qual momento o paciente apresenta duas características: a incurabilidade e o fracasso terapêutico dos recursos médicos ( FRANÇA, 2000).

ASPECTOS PSICOLÓGICOS DOS PACIENTES TERMINAIS


   A percepção das vivencias da morte e do morrer tem sofrido transformações ao longo do tempo histórico, acompanhando as transformações da sociedade no que diz respeito as atitudes diante da morte, evoluindo desde uma experiência tranquila e até mesmo desejada, na Idade Média para uma possibilidade impregnada de angustia, temor e aflição, que deve ser evitada a todo o custo na época atual (Souza e Boemer, 2005).
   Sob os aspectos psicológicos, os enfermos experimentam reações de reajustamento que podem ser chamadas de estágios do processo de morrer, formulados em cinco estágios, por Kubler – Ross (1977).

   Os cincos estágios são denominados como:

   1) Negação: é a tomada de consciência do fato de sua doença fatal. Alguns enfermos costumam procurar uma segunda opinião, outros manifestam a negação de maneira implícita, agindo com otimismo e planos para o futuro.
   2) Raiva: à medida que a negação vai se atenuando, a pessoa começa a experimentar muita raiva, que normalmente é dirigida ao médico, ao enfermeiro, aos visitantes, aos familiares, a Deus e etc.
   3) Barganha: é o desejo do paciente em realizar acordos por um pouco mais de tempo, negociam com a própria morte.
   4) Depressão: ao final do tempo da barganha, o paciente passa à depressão. Ele já não prevê mais possibilidades, a vida acabou. Esta estágio costuma provocar culpa e outros sentimentos de aflição.
   5) Aceitação: ocorre quando o paciente se mostra capaz de entender sua situação com todas as suas conseqüências. A aceitação não exclui a esperança, mas, nesse momento, a pessoa já não tem mais medo ou angústia.

   Existe o mito de que o paciente terminal só teme a morte. Weisman (1972), levantou alguns aspectos, que podem ser mais preocupantes para o paciente de acordo com as suas características de personalidade e historia de vida, e que ele chamou de sofrimento secundário.
   Às vezes, o medo de morrer é menos angustiante do que o de se sentir sozinho e abandonado nestes momentos, há o medo da separação e da perda dos apoios de situações conhecidas e prazerosas. Pode ocorrer ansiedade de aniquilamento e alienação, como se fosse uma morte em vida. A ansiedade de aniquilação pode estar ligada a um medo de desintegração, um medo de perder a sanidade, já que as situações familiares são perdidas, e o paciente encontra-se diante do desconhecido.

   Segundo Le Shan (1973), o paciente com tempo limitado de vida, não importando qual é o tempo objetivo, necessita realizar o desligamento das pessoas e objetos amados. O terapeuta traz consigo a possibilidade de conexão com a vida que ainda esta ai. A questão do tempo limitado é relativa, mais do que a quantidade, importa a qualidade de vida.

   Campos (1995) diz que cada um vive a sua dor; por mais que os outros se esforcem para compreendê-lo, ninguém sentirá o que ele sente. A experiência de estar doente é sentida de forma sempre única, pela pessoa. Observa-se que a doença física é acompanhada de manifestações da esfera psíquica, ocasionando também alterações na interação social. A doença provoca, precipita ou agrava desequilíbrios psicológicos, quer no paciente, quer na família.

   Para ASSUMPÇÃO (1994), o trabalho do psicólogo apresenta-se de maneira essencial e sistemática inserido em uma equipe multiprofissional, visando o bem estar biopsicossocial do paciente e, principalmente, respeitando a ética de seu desejo frente as possibilidades de morte iminente, onde se faz imperioso o respeito às suas escolhas, crenças e valores, até mesmo os religiosos, pois desta forma entendemos que estamos promovendo a vida, e vida até a morte.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

   Apesar de a morte parecer uma realidade inevitável e previsível para os pacientes em fase terminal, isso não significa dizer que não sem tem mais o que fazer. O atendimento humanizado e os cuidados biopsicossociais são indispensáveis nessa fase que se aproxima tanto para o paciente quanto para sua família.
   Concluímos que os cuidados com pacientes em fase terminal vão muito além dos conhecimentos tecnológicos ou científicos. É preciso compreender a fundo a individualidade do paciente e entender que cada paciente vive sua dor de maneira diferente e que por mais conhecimentos que nós profissionais da área da saúde temos diante dessa situação jamais vamos sentir o que o paciente esta sentindo.
   Acreditamos que nós futuras psicólogas, diante da morte podemos ser a palavra que conforta, pois o sofrimento só é intolerável quando se esta sozinho.



BIBLIOGRAFIA:

ASSUMPÇÃO, D. A. E. Tanatologia e o Doente Terminal, in: Revista Diálogo Médico. Roche. São Paulo.1974

CAMPOS, T. C. P. Psicologia Hospitalar - A atuação do psicólogo em hospitais. São Paulo. EPU.1995.

FRANÇA, G.V. Paciente terminal: direito a verdade. Bioética, 2000.
GUTIERREZ, P. L; Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.2 São Paulo April/June 2001.
KUBLER-ROSS, E. (1977, 3ª. Ed). Sobre a morte e o morrer. (T. L.Kipnis, Trad.). São Paulo: Martins Fontes.

LE SHAN. Psychotherapy and the patient with a limited life – span, In: RUITENBECK, H. The interpretation of death. New York, Jason Aronson Publishers, 1973.

PESSINI, L. Distanásia: até quando prolongar a vida? São Paulo: Loyola; 2001.

PESSINI, L. Distanásia: até quando investir sem agredir?. Bioética; 1996.

STEFANINI E, ROSENTHEL C, SIMON S. Paciente termina: qual o limite da intervenção? Ser Med. 1998.

SOUZA, L. G. A. e Boemer, M. R. (2005). O cuidar em situação de morte: algumas reflexões. Medicina Ribeirão Preto, 38(1), 49-54.

WEISMAN, D.-Psychossocial considerations in terminal care. Tn: SCHOINBERG, B; CARR, e PERETZ, D.-Psychossocial aspects of care. New York, Columbia Univerity Press, 1972.

ZOBOLI, E.L.C.P. Bioética do cuidado: a ênfase na dimensão relacional. Rev. Estima, 2003; 1(1): 38-40.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A dinâmica da transferência

Introdução:


   O texto trabalha sob a visão ocular em tópico quase inexaurível da transferência foi recentemente tratado em início por Wilhelm Stekel, nesse periódico, em estilo descritivo. O texto se refere que deve-se compreender que cada indivíduo, através da ação combinada de sua disposição inata e das influências sofridas durante os primeiros anos, conseguiu um método específico próprio de conduzir-se na vida erótica isto é, nas precondições para enamorar-se que estabelece, nos instintos que satisfaz e nos objetivos que determina a si mesmo no decurso daquela.

   Outra parte relativamente importante do qual o texto transparece é de que os impulsos libidinais foi retida no curso do desenvolvimento; mantiveram-na afastada da personalidade consciente e da realidade, e, ou foi impedida de expansão ulterior, exceto na fantasia, ou permaneceu totalmente no inconsciente, de maneira que é desconhecida pela consciência da personalidade. Se a necessidade que alguém tem de amar não é inteiramente satisfeita pela realidade, ele está fadado a aproximar-se de cada nova pessoa que encontra com idéias libidinais antecipadas e é bastante provável que ambas as partes de sua libido, tanto a parte que é capaz de se tornar consciente quanto à inconsciente, tenham sua cota na formação dessa atitude.

   O texto também aborda a prática da transferência, como não sendo de fato que a transferência surja com maior intensidade e ausência de coibição durante a psicanálise que fora dela. Nas instituições em que doentes dos nervos são tratados de modo não analítico, podemos observar que a transferência ocorre com a maior intensidade e sob as formas mais indignas, chegando a nada menos que servidão mental e, ademais, apresentando o mais claro colorido erótico.

   Outra questão levantada no texto faz pensar que o problema de saber o por que a transferência aparece na psicanálise como resistência está por enquanto intacto e temos agora de abordá-lo mais de perto. Figuremos a situação psicológica durante o tratamento. Uma precondição invariável e indispensável de todo desencadeamento de uma psiconeurose é o processo a que Jung deu o nome apropriado de ‘introversão’. Isto equivale a dizer: a parte da libido que é capaz de se tornar consciente e se acha dirigida para a realidade é diminuída, e a parte que se dirige para longe da realidade e é inconsciente, e que, embora possa ainda alimentar as fantasias do indivíduo, pertence todavia ao inconsciente, é proporcionalmente aumentada. A libido (inteiramente ou em parte), entrou num curso regressivo e reviveu os imagos infantis do indivíduo. O tratamento analítico então passa a segui-la; ele procura rastrear a libido, torná-la acessível à consciência e, enfim, útil à realidade. No ponto em que as investigações da análise deparam com a libido retirada em seu esconderijo, está fadado a irromper um combate, todas as forças que fizeram a libido regredir se erguerão como ‘resistências’ ao trabalho da análise, a fim de conservar o novo estado de coisas.

   Assim, a transferência, no tratamento analítico, invariavelmente nos aparece, desde o início, como a arma mais forte da resistência, e podemos concluir que a intensidade e persistência da transferência constituem efeito e expressão da resistência. Ocupamo-nos do mecanismo da transferência, é verdade, quando o remontamos ao estado de prontidão da libido, que conservou imagos infantis, mas o papel que a transferência desempenha no tratamento só pode ser explicado se entrarmos na consideração de suas relações com as resistências.

   A manifestação de uma transferência negativa é, na realidade, acontecimento muito comum nas instituições. Assim que um paciente cai sob o domínio da transferência negativa, ele deixa a instituição em estado inalterado ou agravado. A transferência erótica não possui efeito tão inibidor nas instituições, visto que nestas, tal como acontece na vida comum, ela é encoberta ao invés de revelada. Mas se manifesta muito claramente como resistência ao restabelecimento. Do ponto de vista do restabelecimento, é completamente indiferente que o paciente supere essa ou aquela ansiedade ou inibição na instituição. Pode-se levantar ainda a questão de saber por que os fenômenos de resistência da transferência só aparecem na psicanálise e não em formas indiferentes de tratamento, sendo que eles também se apresentam nestas outras situações, mas têm de ser identificados como tal. A manifestação de uma transferência negativa é, na realidade, acontecimento muito comum nas instituições. Assim que um paciente cai sob o domínio da transferência negativa, ele deixa a instituição em estado inalterado ou agravado.

   Para conclusão, o texto refere-se ao processo de procurar a libido que fugira do consciente do paciente, penetramos no reino do inconsciente. As reações que provocamos revelam, ao mesmo tempo, algumas das características que viemos a conhecer a partir do estudo dos sonhos. Os impulsos inconscientes não desejam ser recordados da maneira pela qual o tratamento quer que o sejam, mas esforçam-se por reproduzir-se de acordo com a atemporalidade do inconsciente e sua capacidade de alucinação. Tal como acontece aos sonhos, o paciente encara os produtos do despertar de seus impulsos inconscientes como contemporâneos e reais; procura colocar suas paixões em ação sem levar em conta a situação real. O médico tenta compeli-lo a ajustar esses impulsos emocionais ao nexo do tratamento e da história de sua vida, a submetê-lo à consideração intelectual e a compreendê-lo à luz de seu valor psíquico. Esta luta entre o médico e o paciente, entre o intelecto e a vida instintual, entre a compreensão e a procura da ação, é travada, quase exclusivamente, nos fenômenos da transferência. É nesse campo que a vitória tem de ser conquistada - vitória cuja expressão é a cura permanente da neurose. Não se discute que controlar os fenômenos da transferência representa para o psicanalista as maiores dificuldades, mas não se deve esquecer que são precisamente eles que nos prestam o inestimável serviço de tornar imediatos e manifestos os impulsos eróticos ocultos e esquecidos do paciente.



Referências:

FREUD, S. (1910/1970). As perspectivas futuras da terapêutica psicanalítica. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 11, pp. 143-156). Rio de Janeiro: Imago.

FREUD, S. (1915/1969). Observações sobre o amor transferencial. In: Coleção standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (vol. 12, pp. 208-221). Rio de Janeiro: Imago.

KOHLENBERG, R. J., TSAI, M. (2001). Psicoterapia analítica funcional: criando relações terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETec.

VANDENBERGHE, L. M. A. (2006). Psicoterapia Analítica Funcional - FAP. Curso ministrado no XV Encontro da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental.









segunda-feira, 20 de julho de 2015

Resumo: Sigmund Freu, Vol. XIV (1914-1916): Luto e Melancolia




O Texto de Sigmund Freud sobre luto e melancolia trata-se de: “A melancolia, cuja definição varia inclusive na psiquiatria descritiva, assume várias formas clínicas, cujo agrupamento numa única unidade não parece ter sido estabelecido com certeza, sendo que algumas dessas formas sugerem afecções antes somáticas do que psicogênicas. Nosso material, independentemente de tais impressões acessíveis a todo observador, limita-se a um pequeno número de casos de natureza psicogênica indiscutível.
Desde o início, portanto abandonaremos toda e qualquer reivindicação à validade geral de nossas conclusões, e nos consolaremos com a reflexão de que, com os meios de pesquisa à nossa disposição hoje em dia, dificilmente descobriríamos alguma coisa que não fosse típica, se não de toda uma classe de perturbações, pelo menos de um pequeno grupo delas”. O luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica.
           
      O texto também aborda correlações que Sigmund Freud cita como: O ponto essencial, portanto, não consiste em saber se a auto difamação aflitiva do melancólico é correta, no sentido de que sua autocrítica esteja de acordo com a opinião de outras pessoas. O ponto consiste, antes, em saber se ele está apresentando uma descrição correta de sua situação psicológica. Ele perdeu seu amor-próprio e deve ter tido boas razões para tanto. É verdade que então nos deparamos com uma contradição que coloca um problema de difícil solução. A analogia com o luto nos levou a concluir que ele sofrera uma perda relativa a um objeto; o que o paciente nos diz aponta para uma perda relativa a seu ego.

Antes de passarmos a essa contradição, percebemos um conceito que a perturbação do melancólico oferece a respeito da constituição do ego humano. Vemos como nele uma parte do ego se coloca contra a outra, julga-a criticamente, e, por assim dizer, toma-a como seu objeto. Nossa desconfiança de que o agente crítico, que aqui se separa do ego, talvez também revele sua independência em outras circunstâncias, será confirmada ao longo de toda a observação ulterior. Realmente, encontraremos fundamentos para distinguir esse agente do restante do ego. Aqui, estamos familiarizando com o agente comumente denominado ‘consciência’; vamos incluir, juntamente com a censura da consciência e do teste da realidade, entre as principais instituições do ego, e poderemos provar que ela pode ficar doente por sua própria causa. No quadro clínico da melancolia, a insatisfação com o ego constitui, por motivos de ordem moral, a característica mais marcante. Freqüentemente, a auto-avaliação do paciente se preocupa muito menos com a enfermidade do corpo, a feiura ou a fraqueza, ou com a inferioridade social; quanto a essa categoria, somente seu temor da pobreza e as afirmações de que vai ficar pobre ocupam posição proeminente.

Segue na obra que a melancolia, portanto, toma emprestado do luto alguns dos seus traços e, do processo de regressão, desde a escolha objetal narcisista para o narcisismo, os outros. É por um lado, como o luto, uma reação à perda real de um objeto amado; mas, acima de tudo isso, é assinalada por uma determinante que se acha ausente no luto normal ou que, se estiver presente, transforma este em luto patológico. A perda de um objeto amoroso constitui excelente oportunidade para que a ambivalência nas relações amorosas se faça efetiva e manifesta. Onde existe uma disposição para a neurose obsessiva, o conflito devido à ambivalência empresta um cunho patológico ao luto, forçando-o a expressar-se sob forma de auto-recriminação, no sentido de que a própria pessoa enlutada é culpada pela perda do objeto amado, isto é, que ela a desejou. Esses estados obsessivos de depressão que se seguem à morte de uma pessoa amada revelam-nos o que o conflito devido à ambivalência pode alcançar por si mesmo quando também não há uma retração regressiva da libido. Na melancolia, as ocasiões que dão margem à doença vão, em sua maior parte, além do caso nítido de uma perda por morte, incluindo as situações de desconsideração, desprezo ou desapontamento, que podem trazer para a relação sentimentos opostos de amor e ódio, ou reforçar uma ambivalência já existente. Esse conflito devido à ambivalência, que por vezes surge mais de experiências reais, por vezes mais de fatores constitucionais, não deve ser desprezado entre as precondições da melancolia. Se o amor pelo objeto — um amor que não pode ser renunciado, embora o próprio objeto o seja — se refugiar na identificação narcisista, então o ódio entra em ação nesse objeto substitutivo, dele abusando, degradando-o, fazendo-o sofrer e tirando satisfação sádica de seu sofrimento. A autotortura na melancolia, sem dúvida agradável, significa, do mesmo modo que o fenômeno correspondente na neurose obsessiva, uma satisfação das tendências do sadismo e do ódio relacionadas a um objeto, que retornaram ao próprio eu do indivíduo nas formas que vimos examinando. Via de regra, em ambas as desordens, os pacientes ainda conseguem, pelo caminho indireto da autopunição, vingar-se do objeto original e torturar o ente amado através de sua doença, à qual recorrem a fim de evitar a necessidade de expressar abertamente sua hostilidade para com ele. Afinal de contas, a pessoa que ocasionou a desordem emocional do paciente, e na qual na doença se centraliza, em geral se encontra eu seu ambiente imediato. A catexia erótica do melancólico no tocante a seu objeto sofreu assim uma dupla vicissitude: parte dela retrocedeu à identificação, mas a outra parte, sob a influência do conflito devido à ‘ambivalência’, foi levada de volta à etapa de sadismo que se acha mais próxima do conflito.

“Não posso prometer que essa tentativa venha a ser inteiramente satisfatória. Mal nos leva além da possibilidade de tomarmos nossa orientação inicial. Temos duas coisas a empreender: a primeira é uma impressão psicanalítica; a segunda, o que talvez possamos chamar de um tema de experiência econômica geral. A impressão que vários investigadores psicanalíticos já puseram em palavras é que o conteúdo da mania em nada difere do da melancolia, que ambas as desordens lutam com o mesmo ‘complexo’, mas que provavelmente, na melancolia, o ego sucumbe ao complexo, ao passo que, na mania, domina-o ou o põe de lado. Nosso segundo indicador é proporcionado pela observação de que todos os estados, tais como a alegria, a exultação ou o triunfo, que nos fornecem o modelo normal para a mania, dependem das mesmas condições econômicas. Aqui, aconteceu que, como resultado de alguma influência, um grande dispêndio de energia psíquica, de há muito mantido ou que ocorre habitualmente, finalmente se torna desnecessário, de modo que se encontra disponível para numerosas aplicações e possibilidades de descarga”
(Sigmund Freud 1914)

Para Freud a resposta rápida e fácil é que ‘a apresentação (da coisa) inconsciente do objeto foi abandonada pela libido’. Na realidade, contudo, essa apresentação é composta de inumeráveis impressões isoladas (ou traços inconscientes delas) e essa retirada da libido não é um processo que possa ser realizado num momento, mas deve, por certo, como no luto, ser um processo extremamente prolongado e gradual. Se ele começa simultaneamente em vários pontos ou se segue alguma espécie de seqüência fixa não é fácil decidir; nas análises, torna-se freqüentemente evidente que primeiro uma lembrança, e depois outra, é ativada, e que os lamentos que soam sempre como os mesmos, e são tediosos em sua monotonia, procedem, não obstante, cada vez de uma fonte inconsciente diferente. Se o objeto não possui uma tão grande importância para o ego — importância reforçada por mil elos —, então também sua perda não será suficiente para provocar quer o luto, quer a melancolia.

Essa característica de separar pouco a pouco a libido deve, portanto, ser atribuída de igual modo ao luto e à melancolia, sendo provavelmente apoiada pela mesma situação econômica e servindo aos mesmos propósitos em ambos.

Por fim podemos dizer que no trabalho da melancolia, portanto, a consciência está inclinada a uma parte que não é essencial, e nem sequer é uma parte à qual possamos atribuir o mérito de ter contribuído para o término da doença. Vemos que o ego se degrada e se enfurece contra si mesmo, e compreendemos tão pouco quanto o paciente a que é que isso pode levar e como pode modificar-se. De forma mais imediata, podemos atribuir tal função à parte inconsciente do trabalho, pois não é difícil perceber uma analogia essencial entre o trabalho da melancolia e o do luto. Do mesmo modo que o luto compele o ego a desistir do objeto, declarando-o morto e oferecendo ao ego o incentivo de continuar a viver.

Referencias Bibliográficas:


FREUD, Sigmund. Volume XIV Ed. Imago (RJ). (ANO1914-1916) - LUTO E  MELANCOLIA

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sonhar e Re-Sonhar na Gestalt Terapia.


A palavra Gestalt tem origem alemã e surgiu em 1523 de uma tradução da Bíblia, significando "o que é colocado diante dos olhos, exposto aos olhares". Hoje adotada no mundo inteiro significa um processo de dar forma ou configuração. Gestalt significa uma integração de partes em oposição à soma do "todo"; dizer que um processo, ou o produto de um processo é uma Gestalt, significa dizer que não pode ser explicado pelo mero caos, ou uma mera combinação cega de causas essencialmente desconexas, mas que sua essência é a razão de sua existência, (Gestalt-centro 1997). 

Pode-se considerar que a Gestalt-terapia germinou no espírito de Frederick Perls em 1940, na África do Sul. Quando imigrou, nesta mesma época, para a América com sua esposa Laura Perls, que era membro da Escola Gestáltica da qual Perls sofreu grande influência, se integraram a um grupo de intelectuais não-conformistas com o sistema vigente, entre eles, o anarquista Paul Goodman, Isadore From, Paul Weisz e Ralf Hefferline, (Gestalt-centro 1997).

A Gestalt-Terapia apresenta-se como uma abordagem fenomenológico-existencial, ou seja, uma psicoterapia vivencial que ressalta a consciência do aqui-e-agora, através do foco de como o fenômeno nos é apresentado, muito mais do que no por quê. Pode ser considerado “existencial” tudo que diz respeito à forma como o homem experimenta sua existência, a assume, a orienta, a dirige. A noção de responsabilidade de cada pessoa que participa ativamente da construção de seu projeto existencial em sua relativa liberdade, (GINGER, 1987, p. 36).

PERLS (1977) considera que antes de procurarmos as coisas que porventura estejam por detrás, melhor faremos se focalizarmos nossa atenção no que está ali, dado, presente, visível. Além de que, nisto que está aí, neste óbvio, certamente também estão presentes elementos do que possa estar por detrás.      A Gestalt-terapia é uma atitude de re-descobrir aquilo que está ali, é uma atitude de lidar com o novo como novo, é uma atitude de nada afirmar nem negar.

Para a Gestalt-terapia, o homem sempre está em processo de desenvolvimento, sendo a noção de processo algo que está em permanente movimento, em constante mudança. Trabalhamos para promover o processo de crescimento e desenvolver o potencial humano; a tentativa é de ampliar este potencial, através do processo de integração. Assim, integrando as partes conhecidas e desconhecidas, partes que aceitamos e negamos em nós mesmos, vamos nos tornando aquilo que realmente somos e, consequentemente, a vida flui de forma mais saudável. “Nós fazemos isso apoiando os interesses, desejos, e necessidades genuínas do indivíduo”, (PERLS, 1977, p.19).

A Gestalt-terapia é considerada uma terapia do contato , pois acreditamos que a todo o momento estamos em contato com o meio, e através deste contato com o meio que o funcionamento humano pode tornar-se saudável ou disfuncional. É através do contato que nos damos conta de nosso processo, e que podemos ser criativos na forma de ver o mundo e de fazer escolhas na vida, (Gestalt-centro, 1997).

Desta forma, o trabalho clínico em Gestalt-terapia é buscar uma ampliação da consciência do indivíduo sobre seu próprio funcionamento, ou seja, uma awareness sobre como ele funciona, como se interrompe no seu processo de contato consigo e com o mundo, quais as suas tentativas para alcançar seu próprio equilíbrio, tomando suas próprias decisões e efetuando escolhas que atendam as suas reais necessidades. Para YONTEF, (1998) é importante que o indivíduo assuma suas responsabilidades diante de suas escolhas, diante de sua vida, conforme ele vai se conscientizando de suas escolhas, de seu modo de viver, é possível, então, realizar mudanças, pois através do contato, a mudança simplesmente ocorre.

 RIBEIRO (1985), afirma que a Gestalt é: é um apelo interno de desvendar-se, de se deixar descobrir, tocar, analisar. Este autor acrescenta:

“Heidegger dizia que encarregar-se de alguma coisa, de uma pessoa, significa ouvi-la, quere-la. É o que estamos tentando fazer: ouvir o ser querê-lo, penetrar no ser através da Gestalt que ele é descobrir-lhe a proveniência, para sentir o como do seu” deixar de ser”.
                                                   (RIBEIRO,1985. pág. 31)

Enfim, a Gestalt-terapia promove novas formas de olhar para a vida, em que nada é definitivo, existem sempre possibilidades a serem exploradas, escolhas novas a serem feitas. A aceitação genuína de nossa forma de funcionar, nos permite enfrentar as situações com mais criatividade e mais leveza, com a certeza de que sempre fazemos o melhor naquele momento (KIYAN, 2001).

Para a Gestalt-terapia, é importante que o cliente seja tratado como um ser digno de confiança, isto é, responsável por si mesmo, pois, se escolhe ser o que é, é uma totalidade que pode ser integrada, voltado para a consciência, autoregulado, em permanente energia de autorrealização e presentificação, e em busca de dar um sentido as suas percepções, às suas experiências, á sua existência (Ribeiro, 1999).
Em Gestalt-terapia os sonhos são considerados um caminho para a integração de aspectos da personalidade, pela integração das diversas partes que o compõem. Classicamente, o trabalho com o sonho é feito no presente, mediante ação e tendo por base a experiência do sonhador. Cada um dos componentes do sonho (coisas, pessoas, lugares etc.), seriam representações alienadas do sonhador a serem resgatadas e integradas num todo (Gestalt). O trabalho com sonhos é delimeado como um experimento, no qual o cliente é levado a experenciar e explorar seu sonho, orientado pelas intervenções do psicoterapeuta (Pereira, 2002).
O trabalho com os sonhos não consiste simplesmente em associar palavras ou idéias, muito menos construir hipótese, mas perceber com todos os sentidos em meu corpo e em minhas emoções o impacto das imagens, eventualmente encenadas e assim permitindo-se experenciar a encarnaçao do verbo aqui e agora ( Ginger; Ginger, 1995).
Apesar dos sonhos parecerem absurdos eles são a expressão mais espontânea da nossa existência. Perls considerava o sonho como uma obra de arte, esta sempre cheio de movimento, luta, encontros e outros tipos de coisas e acreditava que todas as partes do sonho são fragmentadas da nossa personalidade. E o trabalho do sonho, consiste justamente em reintegrar essa parte, para voltar a inteireza ou totalidade humana, assim ressumiria as partes projetadas e todo o potencial oculto que aparece no sonho ( Agrassar; Cunha, 1992).
Em Gestalt-terapia não se interpreta o sonho, faz-se dele algo muito interessante, traz-se ele de volta a vida. A forma de chegar a isto é revivendo o sonho como se ele se desenrolasse no presente. Ao invés de contá-lo como se fosse uma história passada, utiliza-se de técnica da dramatização, encenando-o no presente, de modo que ele se torne parte de você mesmo, de forma que você esteja verdadeiramente envolvido nele com cada elemento, detalhe dele e depois dramatiza cada um, tornando-se cada um deles ( Ginger; Ginger, 1995).
Segundo a Gestalt-terapia a forma de se trabalhar com os sonhos é pedindo ao cliente que o descreva, e em seguida dramatize de forma sucessiva os variados elementos nele contido, e assim, o terapeuta sugere ao cliente que ele se identifique sucessivamente com estes elementos, com palavras, gestos, expressões, evidenciando que cada um desses elementos seja uma gestalt inacabada ou uma expressão parcial do próprio sonhador. No decorrer do trabalho com o sonho, o cliente poderá ser convidado a encarnar uma estrada pela qual percorre, a bolsa que leva, a pedra pelo qual passou, se conscientizando em cada um desses elementos e dramatizando cada sentimento, emoção e sensação que ocorra no momento ( Ginger; Ginger, 1995).
Segundo Agrassar e Cunha (1992), observa-se que cada parte do sonho é um aspecto que se revela a respeito da pessoa que está sonhando, portanto, é essencial que ela vivencie cada parte de seu sonho. É necessário transformar-se, identificar-se com cada coisa, com cada sensação, com cada pessoa, de forma que o cliente torne-se a coisa, a sensação, a pessoa.

sábado, 4 de julho de 2015

Carta resposta sobre adoção de crianças por casais gays.

Um aluno de um curso superior me fez a seguinte pergunta: "Gostaria de saber sobre a adoção de crianças por casais gays, se no decorrer da vida da criança existe algum prejuízo em aspecto educacional ou social."

Bem minha resposta é a seguinte:

Caro colega, acredito que família e núcleo familiar não distingue especificamente sexo, simplesmente funções que são denominadas de cuidados com a criança em seu aspecto totalitário e individual, costuma-se dizer na Psicologia que "pai e mãe" é função.

Função refere-se a cuidados básicos, ou seja, carinho, amor, alimentação. Um casal GAY assim como o casal HÉTERO são totalmente aptos para essas funções que não são definidas por sexo, nem raça e sim por ações e amadurecimento.

Cabe nossa consciência definir o que vale mais um preconceito humano do qual refere-se a não potencia dos cuidados de uma criança por um casal gay, ou a prepotência de achar que só os héteros podem dar uma boa educação aos filhos.

Em resumo uma criança pode ser completamente saudável em seus aspectos psicológicos criada por héteros ou gays. O que difere é como essa criança será cuidada, se for com amor e em um ambiente favorável, com alimentação e cuidados básicos garanto que não haverá problemas graves, porém, cada individuo é único e o que é bom para uma família independente do conceito é o carinho, respeito e amor a ser dado a esta criança.

Aplaudo a adoção por pessoas competentes, que tiram crianças das ruas e as contemplam com uma vida digna cheia de sonhos e conquistas. Acredito que a sociedade deve ver com outros olhos a adoção e concentrar-se no bem estar da criança, e não no preconceito enraizado social que alguns insistem em levar. Dê uma chance para o amar e ser amado, querer e ser querido, sair das ruas e ter uma família para chamar de sua.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Mecanismos de defesa: REPRESSÃO


Em sequência ao primeiro post vamos falar de cada mecanismo de defesa, iniciando por REPRESSÃO.

Podemos dizer que a Repressão consiste em afastar uma determinada coisa do consciente idéias, afetos ou desejos perturbadores da consciência, mantendo-os no inconsciente.

A repressão afasta ideias ou percepções potencialmente provocadoras de ansiedade e impede, qualquer "manipulação" possível desse material.

Entretanto, o material reprimido continua fazendo parte da psique do indivíduo, apesar de inconsciente e adormecido, porém continua causando problemas e prejuízos ao bem estar do indivíduo.

Segundo Sigmund Freud, a repressão nunca é realizada de uma só vez porém, exige um consumo contínuo de energia para se manter o material reprimido ao inconsciente, podendo se revelar e trasbordar por atos-falho no processo de dia a dia.

Para Freud os sintomas histéricos com freqüência têm sua origem em alguma repressão do indivíduo como também algumas doenças psicossomáticas, como asma, artrite e úlcera, também poderiam estar relacionadas com a repressão, onde o corpo fala o que a boca não trasborda.

Também é possível que o cansaço excessivo, as fobias e a impotência ou a frigidez derivem de sentimentos reprimidos.

Em suma é comum o ser humano reprimir sentimentos até mesmo pelo "ser aceito em sociedade", o que de fato preocupa é até onde reprimir e o porque reprimir, na Psicanálise e na Psicologia se estabelecem várias formas do indivíduo se entender e assim então livrar-se desses tipos de mecanismos de defesa.


Leia o próximo artigo de mecanismo de defesa: "Negação"

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Mecanismos de Defesa


   Os mecanismos de defesa são uma denominação dada por Sigmund Freud para a manifestação do Ego diante das exigências do Super-Ego.
   Para compreender os mecanismos de defesa precisamos compreender a  forma como se dá a organização do ego, sendo que quando bem organizado, tende a ter reações mais racionais. Todavia, as diversas  vivencias individuais  podem desencadear sentimentos inconscientes, provocando reações menos racionais  ativando então os diferentes mecanismos de defesa do ego, com a finalidade de proteger o Ego de uma possível frustração psíquica, anunciado por esses sentimentos de ansiedade, medo e culpa.

   Cada mecanismo de defesa tem uma forma específica de se efetivar, sabendo-se que há vários mecanismos de defesa como: Racionalização, Isolamento, Sublimação, Projeção, Repressão, Formação reativa, Identificação, Regressão, Negação entre outros os quais abordaremos especificamente e detalhadamente nos próximos posts.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Carta resposta sobre dar e receber: Uma reflexão.

“Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você.Vocês são todos aprendizes, fazedores e professores” Richard Bach, no livro Ilusões.

   Um círculo formado por algumas pessoas. Certamente, em algum momento na sua vida, você já deu as mãos, fazendo um círculo, com outras pessoas, mesmo que para brincar de roda. Você prestou atenção às palmas da sua mão ao segurar a mão de uma pessoa que está ao seu lado?
   O círculo é uma forma geométrica perfeita, sem falhas, onde dois pontos se encontram formando um elo,  uma só união; onde todos podem ver e serem vistos, onde ninguém está na frente ou atrás. Tudo de igual para igual, num todo. 
   No círculo, não existe quem sabe mais e quem sabe menos, o irmão mais novo, o mais alto ou o que ganha mais ou menos. Todos têm a sua sabedoria individual e sua experiência de vida, que só este indivíduo passou no mundo. O círculo simboliza o dar e receber contínuo em nossas vidas: enquanto estou dando com uma mão, estou recebendo com a outra.
   É por isso que ao formarmos um círculo, devemos dar as mãos da seguinte forma:
Uma palma da mão direita fica voltada para baixo e a da esquerda voltada para cima.

- A mão direita representa toda a nossa força, nossa capacidade de ação no mundo e quando nos sentimos fortes, podemos sempre estender nossa mão e ajudar o outro.
- A mão esquerda, é a mão do coração, representa o nosso lado frágil e quando estamos fragilizados, é importante todo o apoio, palavra e mão amiga que recebemos, com a força da ação que só a direita traz.

   Dar e receber.
   Tem pessoas que sabem dar, mas não sabem receber de forma sábia, e há pessoas que recebem porém não sabem compartilhar.
  Tem pessoas que compartilham da "caridade"  esperando receber algo em troca, até o simples obrigado é algo em troca.
  Tem pessoas que recebem e nada compartilham, simplesmente por acharem que não podem compartilhar pois outrora irá faltar-lhes.
  Onde será que está o ponto de equilíbrio entre dar e receber? De fazer a caridade e receber a caridade?
   O ponto de equilíbrio pode ser o amor.
  Quando nos ligamos no amor a outro ser humano ou a vários, algo sutil, precioso e magnifico pode acontecer, onde não tem mais importância o dar e receber, nos ligamos à grande energia que rege o universo, passamos a conhecer a medida das coisas e a saber ouvir as próprias necessidades e as necessidades dos outros, sem fazer uma notinha do que o outro está devendo a você, sem cobrança , colocando somente o bem estar total do ambiente. Não importa quem ajuda mais e quem ajuda menos, não importa que você deu R$ 100,00 e seu irmão te ajudou com R$10,00, o importante é o ajudar quando necessário, ouvir quando precisar e a sorrir profundamente por dar e receber.
   Passamos a entender profundamente cada momento e cada pessoa, assim como são. E aprendemos que dar é receber, receber é dar.

   Deixo aqui  uma pequena estória adaptada de um conto de Hermano Hesse simplificando o dar e receber:
“José e Daniel foram dois renomados curandeiros que viveram em tempos bíblicos. Ambos eram muito eficazes, ainda que trabalhassem de maneiras e com estilos diferentes. 
Ainda que contemporâneos, nunca tiveram um encontro e se consideravam mutuamente rivais. Foi assim durante anos, até que José, o mais jovem, adoeceu espiritualmente. 
Desesperado e sentindo-se incapaz de curar-se a si mesmo, partiu em peregrinação buscando a ajuda de Daniel. Durante seu percurso, descansando em um oásis durante a noite, iniciou uma conversa com outro viajante que, ao escutar o propósito de sua viagem, ofereceu-se como guia para ajudá-lo em sua busca por Daniel. 
Partiram juntos e, no meio de sua longa expedição, o homem mais velho revelou sua identidade. Ele era Daniel, a quem José procurava. 
Ato contínuo, passado o assombro de José, Daniel o conduziu até sua casa, convidando-o a permanecer ali. No princípio, diante do pedido de Daniel, José foi seu servente. Logo aprendiz e, finalmente, um colega de igual hierarquia. Assim viveram e trabalharam juntos muitos anos. 
Anos depois, velho e doente, Daniel pediu a José que escutasse uma confissão. Começou recordando seu encontro no oásis quando José, doente, viajou em busca de sua ajuda e como José havia considerado milagroso aquele encontro. Agora, enfrentando sua própria morte, Daniel quebrou o silêncio de tantos anos confessando que, para ele, também foi milagroso.
 Ele também, naquela época, havia caído em um sombrio desespero, sentindo-se vazio espiritualmente e incapaz de curar a si mesmo. Aquela noite do encontro, ele havia iniciado sua própria viagem em busca da ajuda do famoso curandeiro chamado José.”